Reproduzo abaixo matéria publicada hoje no Diário On Line, do jornal Diário do Grande ABC. De volta à velha reflexão sobre desigualdade social e injustiça racial no Brasil...
10% mais ricos gastam dez vezes mais que os 40% mais pobres
Do Diário OnLine
Um estudo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado nesta quarta-feira apontou que 10% das famílias com mais rendimentos do país (igual ou maior que R$ 3.875,78) gastam dez vezes mais que os 40% mais pobres (rendimentos de até R$ 758,25). Em 2003, as famílias mais pobres tinham despesa per capita de aproximadamente R$ 180, ao passo que as mais ricas apresentavam despesa per capita de cerca de R$ 1,8 mil. De acordo com a pesquisa, o setor de habitação respondeu por 35,5% do gasto total das 48,5 milhões de famílias estimadas na POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003), seguido por alimentação (20,75%), transporte (18,44%), assistência à saúde (6,49%) e educação (4,08%). Diferenças - A despesa média mensal das famílias onde a pessoa de referência era branca foi de R$ 2.262,24, 25% superior à média nacional (R$ 1.794,32). Naquelas onde o chefe era negro, de R$ 1.245,09, e pardo de R$ 1.232,62. Do ponto de vista da religião, o maior rendimento médio mensal foi encontrado em famílias com pessoa de referência espírita (R$ 3.796), e o menor em evangélicos pentecostais (R$ 1.271). Entre católicos apostólicos romanos, o rendimento correspondia a R$ 1.790,56.Pela escolaridade, famílias onde os responsáveis tinham 11 ou mais anos de estudo tinham renda mais elevada (R$ 3.796), enquanto que, naquelas com menos de um ano de instrução, ela foi aproximadamente cinco vezes menor (R$ 752). As famílias das áreas urbanas gastaram mais do que as rurais, o que ocorreu para todas as características investigadas.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Notícias desta América
Estes são os últimos dias para inscrição no curso de pós-graduação/especialização em Filosofia, Educação e Pensamento Social na América Latina. O curso é coordenador pelos professores Suze de Oliveira Piza e Oswaldo de Oliveira Santos Jr., que têm amplos conhecimentos no campo do pensamento latino-americano. Para conhecer mais detalhes do curso e se inscrever, clique aqui.
domingo, 26 de agosto de 2007
Filosofia e educação
Sábado passado ministrei um curso com o tema Ética e disciplina na sala de aulas, voltado especialmente para professores e professoras da rede pública de ensino. Foi a segunda vez em que repeti uma mesma estratégia: comecei o curso apresentando a visão de Kant sobre a disciplina necessária ao processo educativo, pautando-me em seu livro Sobre a pedagogia.
O modelo proposto por Kant supõe uma educação centrada na disciplina como elemento fundamental: se não houver disciplina, não há possibilidade de educação.
Ao expor as idéias kantianas sobre o assunto, perfeitamente adequadas ao seu tempo histórico, pude constatar uma vez mais que a escola atual ainda se pauta nos valores iluministas dos mil-e-setecentos. É incrível observar como ainda predomina na instituição escolar um modelo que prima pela imposição da disciplina como forma de controle.
Isso me faz lembrar uma piada muito contada nos meios filosóficos: dizem que um sujeito que vivia na Idade Média, certa vez, deparou-se com uma máquina do tempo e a utilizou para vir aos nossos dias, em pleno Século XXI. Contam que o sujeito ficou aterrorizado ao ver o trânsito e os imensos prédios, e correu para uma igreja; lá, encontrou uma celebração carismática (coisa que levaria alguém à fogueira na era medieval!) e correu desesperadamente, buscando encontrar algo que não lhe parecesse absurdo. Então entrou numa escola e pensou: "finalmente, algo que não mudou"...
Não há como deixar de pensar na permanência da instituição escolar, inclusive a universitária, ao longo dos séculos. A disposição dos prédios, das salas, das carteiras... tudo contrário ao bem-estar dos indivíduos que a freqüentam. E se o ambiente é desagradável, só resta a disciplina impositiva como forma de controle... mas finalmente os alunos já não se dobram a ela. Sinal dos tempos?!
O modelo proposto por Kant supõe uma educação centrada na disciplina como elemento fundamental: se não houver disciplina, não há possibilidade de educação.
Ao expor as idéias kantianas sobre o assunto, perfeitamente adequadas ao seu tempo histórico, pude constatar uma vez mais que a escola atual ainda se pauta nos valores iluministas dos mil-e-setecentos. É incrível observar como ainda predomina na instituição escolar um modelo que prima pela imposição da disciplina como forma de controle.
Isso me faz lembrar uma piada muito contada nos meios filosóficos: dizem que um sujeito que vivia na Idade Média, certa vez, deparou-se com uma máquina do tempo e a utilizou para vir aos nossos dias, em pleno Século XXI. Contam que o sujeito ficou aterrorizado ao ver o trânsito e os imensos prédios, e correu para uma igreja; lá, encontrou uma celebração carismática (coisa que levaria alguém à fogueira na era medieval!) e correu desesperadamente, buscando encontrar algo que não lhe parecesse absurdo. Então entrou numa escola e pensou: "finalmente, algo que não mudou"...
Não há como deixar de pensar na permanência da instituição escolar, inclusive a universitária, ao longo dos séculos. A disposição dos prédios, das salas, das carteiras... tudo contrário ao bem-estar dos indivíduos que a freqüentam. E se o ambiente é desagradável, só resta a disciplina impositiva como forma de controle... mas finalmente os alunos já não se dobram a ela. Sinal dos tempos?!
sábado, 25 de agosto de 2007
Brasília
Para pulicar a postagem abaixo, procurei algumas imagens de Brasília, nossa capital. Não pude deixar de lembrar do grande Oscar Niemeyer, o maior arquiteto de que já ouvi falar e em cuja obra já vivi(não só Brasília, mas o MASP com seu vão livre, por exemplo, ou ainda o Ibirapuera...).Lembro-me de ter ouvido uma declaração dele, certa vez, de que no mundo só sobraram 2 "comunistas de verdade": o próprio Niemeyer e Fidel Castro. Ainda que discordando, há que se considerar algo de justo em sua afirmação.
Imagino a tristeza de um homem que projetou a capital do País para o governo de JK, viu-a ser ocupada pelos militares quando da deposição de Jango e durante o golpe. E agora a vê tomada pelos nossos poderes tradicionalmente corrompidos.
Junto a esta tristeza, imagino a esperança que tem de ver eguer-se da justiça a clava forte, que venha corresponder à altura da obra de um dos maiores artistas vivos do nosso país.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Ouvi dizer
Ouvi dizer que 14 advogados dos mensaleiros afirmaram que seus clientes eram inocentes.
Ouvi dizer que o suplente de senador, que assumiu no lugar do senador corrupto, não fez nada de errado, apesar de intermediar a negociação ilícita que levou o titular do cargo à renúncia.
Ouvi dizer, ainda, que o presidente do Senado não recebeu dinheiro por fora, para facilitar a vida de algumas empreiteras. Aliás, foi o presidente do senado que deu o voto decisivo para inocentar o suplente de senador já citado.
Ora, eu ouvi dizer que o próprio presidente da Comissão de Ética do Senado tinha em sua história algumas contas pagas de forma mal contada.
Mas isso não deve ser assim tão importante, se é verdade que eu ouvi dizer que o finado ACM era o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
E eu ainda ouvi dizer que, depois que ele morreu, o próprio filho assumiu a vaga deixada pelo pai.
Por falar em senadores, quando eu ouvi dizer que o Paulo Coelho (calma, ele não é senador) foi eleito para a Academira Brasileira de Letras, eu fui ver quem eram os acadêmicos. E não é que lá estavam políticos influentes, como o Ex-Presidente da República e do Senado, José Sarney; e como o Ex-Vice-Presidente da República, Marco Maciel. O Coelho, pelo menos, não levanta lebre...
Eu não ouvi dizer nada sobre as importantes obras escritas pelos senadores-acadêmicos, que os levaram à Academia. Pelo menos, não ouvi nada sobre obras que eles mesmos tenham escrito, e não seus gostwriters.
Ouvi dizer que entre os cinco deputados federais mais votados no Estado de SP, nas últimas eleições, figuravam políticos reconhecidos por sua explícita corrupção, homens que ficaram famosos porque tiveram carreiras artísticas (e não políticas) e até um, também falecido, que ficou famoso apenas por repetir seu nome insistentemente.
Poxa, eu ouvi dizer tanta coisa...
E depois dizem por ai que a Filosofia é que "viaja" nas idéias, versando sobre coisas que não condizem com o nosso mundo...
Ouvi dizer que o suplente de senador, que assumiu no lugar do senador corrupto, não fez nada de errado, apesar de intermediar a negociação ilícita que levou o titular do cargo à renúncia.
Ouvi dizer, ainda, que o presidente do Senado não recebeu dinheiro por fora, para facilitar a vida de algumas empreiteras. Aliás, foi o presidente do senado que deu o voto decisivo para inocentar o suplente de senador já citado.
Ora, eu ouvi dizer que o próprio presidente da Comissão de Ética do Senado tinha em sua história algumas contas pagas de forma mal contada.Mas isso não deve ser assim tão importante, se é verdade que eu ouvi dizer que o finado ACM era o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
E eu ainda ouvi dizer que, depois que ele morreu, o próprio filho assumiu a vaga deixada pelo pai.
Por falar em senadores, quando eu ouvi dizer que o Paulo Coelho (calma, ele não é senador) foi eleito para a Academira Brasileira de Letras, eu fui ver quem eram os acadêmicos. E não é que lá estavam políticos influentes, como o Ex-Presidente da República e do Senado, José Sarney; e como o Ex-Vice-Presidente da República, Marco Maciel. O Coelho, pelo menos, não levanta lebre...
Eu não ouvi dizer nada sobre as importantes obras escritas pelos senadores-acadêmicos, que os levaram à Academia. Pelo menos, não ouvi nada sobre obras que eles mesmos tenham escrito, e não seus gostwriters.
Ouvi dizer que entre os cinco deputados federais mais votados no Estado de SP, nas últimas eleições, figuravam políticos reconhecidos por sua explícita corrupção, homens que ficaram famosos porque tiveram carreiras artísticas (e não políticas) e até um, também falecido, que ficou famoso apenas por repetir seu nome insistentemente.
Poxa, eu ouvi dizer tanta coisa...
E depois dizem por ai que a Filosofia é que "viaja" nas idéias, versando sobre coisas que não condizem com o nosso mundo...
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Sobre Nietzsche
A Folha On Line, versão digital do jornal Folha de S. Paulo, remodelou sua página e, no novo lay-out, disponibilizou novamente alguns artigos antigos. Na edição de ontem foi (re)disponibilizado o capítulo introdutório do livro "Nietzsche", de Oswaldo Giacóia Jr., publicado pela Publifolha.
Interessados podem acessar o texto - clique aqui.
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terça-feira, 21 de agosto de 2007
Notícias desta América
Depois de um feriado prolongado (só pra quem trabalha em São Bernardo do Campo) volto a postar no blog.
A Filosofia Latino-americana é ainda pouco aceita nos meios filosóficos. Talvez, em boa parte, devido à postura mais teórica e menos práxica (falei disso em uma postagem anterior, sobre Marx): se os filósofos da nossa América se ocupassem de fazer filosofia de forma mais conectada com o mundo que vivem, se preocupariam um pouco mais com a realidade que os circunda...
Mas a produção filosófica estreitamente conectada com a realidade sub-desenvolvida (ou "em desenvolvimento - ?)já possui significativa produção, e tem atualmente como principal expoente o filósofo Enrique Dussel.
Para nossa sorte, a obra de Dussel pode ser acessada on-line, no site do Instituto de Filosofia da Libertação - IFiL.
Para conhecer o site do IFiL, clique aqui.
Para acessar a obra de Enrique Dussel, clique aqui.
Boa leitura!
A Filosofia Latino-americana é ainda pouco aceita nos meios filosóficos. Talvez, em boa parte, devido à postura mais teórica e menos práxica (falei disso em uma postagem anterior, sobre Marx): se os filósofos da nossa América se ocupassem de fazer filosofia de forma mais conectada com o mundo que vivem, se preocupariam um pouco mais com a realidade que os circunda...
Mas a produção filosófica estreitamente conectada com a realidade sub-desenvolvida (ou "em desenvolvimento - ?)já possui significativa produção, e tem atualmente como principal expoente o filósofo Enrique Dussel.
Para nossa sorte, a obra de Dussel pode ser acessada on-line, no site do Instituto de Filosofia da Libertação - IFiL.
Para conhecer o site do IFiL, clique aqui.
Para acessar a obra de Enrique Dussel, clique aqui.
Boa leitura!
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