Nesta época muitas pessoas me perguntam em quem vou votar ou mesmo pedem indicações de candidatos. Meu entendimento é que, nesta eleição, interessa mais quem NÃO vai ganhar. Explico:
A leitura que faço sobre a política brasileira é que nossa sociedade está passando por um lento e gradual processo de amadurecimento. Collor, que já foi eleito Presidente da República, hoje tem que se contentar com a possibilidade de ser governador de Alagoas. Temos um "Tiri-rica" candidato a deputado, mas não há mais espaço para um Enéias, que já obteve três milhões de votos para presidente. Quero dizer: as coisas não estão bem, mas aos poucos, vão se tornando menos piores.
No próximo final de semana, muita gente ruim vai se eleger. Mas uns tantos, que são políticos corrompidos e ocupam cargos mandatários há décadas, ouvirão um "basta" dos eleitores. Alguns já têm a derrota como certa. Exemplos são a governadora Yeda, do PSDB-RS e os senadores Heráclito Fortes (DEM-PI), Marco Maciel (DEM-PE), Rita Camata (PSDB-ES), Cesar Maia (DEM-RJ). Outros, ainda, correm o sério risco de não se reelegerem: Artur Virgílio (PSDB-AM), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Mão Santa (PSC-PI). Espero que o povo destes estados faça ao Brasil o favor de não dar novos mandatos a estes que são políticos da pior espécie.
Em São Paulo, tenho esperança de ajudar a barrar a reeleição de dois políticos em particular. O Tuma, atual senador, candidato gravemente enfermo, não deve se eleger novamente. Chefe da polícia na ditadura militar, nunca fez por merecer os mandatos que lhe foram concedidos. O outro que espero não-eleger é o Alckmim. É preciso acabar com a dinastia tucana que impera em SP desde o início da década de 1980. A questão é simples: cada partido dá mais atenção a um setor da sociedade. Há 30 anos o PSDB (antes, seus políticos filiados ao PMDB) governam São Paulo. Por isso o sistema educacional é falho. Por isso não há programas sociais eficientes. É preciso mudar.
Meus votos, portanto, não vão para os políticos que se elegerão - muitos dos meus candidatos não chegarão lá. Mas serão pensados, cada um, no sentido de ajudar a impedir candidaturas indesejáveis.
Para deputados, estadual e federal, votarei na sigla do Partido Comunista Brasileiro - PCB - 21. Espero, assim, que os políticos eleitos percebam que há uma parcela da população que espera políticas públicas mais voltadas ao proletariado, mais à esquerda.
Também para senadores, votarei nos camaradas do PCB, Mazzeo - 211, e Ernesto - 212. Se houvesse chances do Tuma ou do Aloysio se elegerem, eu me sujeitaria a votar na Marta e no Netinho, seria um anti-voto mais eficiente. Mas, para meu alívio, isso não será necessário.
Para governador, entendo que será útil o voto em qualquer candidato que não o Alckimim. Não espero um governo maravilhoso do Mercadante, mas seria melhor que o Alckimim. No segundo turno, votarei nele. Agora, o mais importante é que o tucano não consiga eleger-se no primeiro turno, e para isso, basta votar em qualquer outro candidato. Eu votarei no meu amigo Igor Grabois, 21.
Por fim, para presidente, entre Dilma e Serra, sou Dilma. Basta olhar os governos FHC e Lula para constatar a maior eficiência do atual presidente. Mas entre uma Dilma "de centro-direita" e uma Dilma "mais à esquerda", eu fico com esta última. Por isso, votarei em um candidato da esquerda. Escolho o Ivan Pinheiro, 21.
Os meus votos serão todos no PCB e não por acaso. É um partido sério, capaz de expulsar filiados que se corrompem, mesmo que sejam membros dos governos. E, naturalmente, é um partido que sofre por essa sua postura exemplar em meio a um cenário político corrompido. É, enfim, um partido que merece minha confiança.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Democracia???
A tripartição dos poderes é, pelo menos desde o Iluminismo francês, a base do modelo republicano e democrático. Trata-se de um instrumento formal contra a tirania: o poder político é repartido em três - executivo, legislativo, judiciário. No Brasil, de tradição patriarcal e coronelista, é sabido que o presidente, poder executivo, interfere nos demais. Mas isso até certo ponto. Há limites, que precisam ser negociados.
O legislativo brasileiro é alvo de descrença pública justamente porque cede demasiadamente nas negociações políticas. Qual o brasileiro que acredita na eficiência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal?
Já o judiciário, representado pelo Supremo Tribunal Federal, tem mais autonomia. Apesar dos ministros que o compõem serem indicados pelo presidente - e não eleitos por voto popular, o que permite ingerência - o fato dos cargos serem vitalícios garantem maior liberdade: não estão sujeitos a ameaças de demissão ou outras formas de coerção política.
Um fato ocorrido ontem - e que talvez passe batido para a maioria da população - representa, a meu ver, a mais flagrante expressão do desrespeito a essa tripartição de poderes que caracteriza as bases da república democrática. Entendam os leitores que não escrevo com ingenuidade: eu já disse que ingerências existem, lamentavelmente são corriqueiras. Mas não como a que ocorreu ontem.
Dois são os diferenciais. Primeiro, o fato de envolver o Judiciário, poder que se mantinha mais ou menos afastado da corrupta relação executivo-judiciário. O outro, o fato do contato ter sido direto e explícito entre os envolvidos. O candidato Serra telefonou diretamente para o ministro Gilmar Mendes, e este, obedientemente, interrompeu uma votação que poderia desfavorecer interesses da campanha do tucano. Não sabia o Serra que encontravam-se por perto jornalistas da Folha de S. Paulo, que ouviram a conversa.
A reportagem está disponível aqui.
Em tempo: o que estava em votação no Supremo? A necessidade ou não de apresentar dois documentos - RG e Título de eleitor - para votar nesta eleição. Tradicionalmente basta apresentar um documento com foto - o RG. A campanha de Serra busca garantir que sejam necessários os dois documentos, dificultando assim que a população menos esclarecida efetive seu voto, por não dispor do título eleitoral em mãos.
Em tempo 2: Quando a votação foi interrompida, 7 dos 10 ministros já haviam votado a favor da dispensa do título de eleitor. Tratou-se apenas de manobra para adiar a decisão, pois o resultado já está dado.
Em tempo 3: Se a votação não for concluída hoje, no domingo os eleitores serão obrigados a apresentar os dois documentos. Lamentável.
O legislativo brasileiro é alvo de descrença pública justamente porque cede demasiadamente nas negociações políticas. Qual o brasileiro que acredita na eficiência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal?
Já o judiciário, representado pelo Supremo Tribunal Federal, tem mais autonomia. Apesar dos ministros que o compõem serem indicados pelo presidente - e não eleitos por voto popular, o que permite ingerência - o fato dos cargos serem vitalícios garantem maior liberdade: não estão sujeitos a ameaças de demissão ou outras formas de coerção política.
Um fato ocorrido ontem - e que talvez passe batido para a maioria da população - representa, a meu ver, a mais flagrante expressão do desrespeito a essa tripartição de poderes que caracteriza as bases da república democrática. Entendam os leitores que não escrevo com ingenuidade: eu já disse que ingerências existem, lamentavelmente são corriqueiras. Mas não como a que ocorreu ontem.
Dois são os diferenciais. Primeiro, o fato de envolver o Judiciário, poder que se mantinha mais ou menos afastado da corrupta relação executivo-judiciário. O outro, o fato do contato ter sido direto e explícito entre os envolvidos. O candidato Serra telefonou diretamente para o ministro Gilmar Mendes, e este, obedientemente, interrompeu uma votação que poderia desfavorecer interesses da campanha do tucano. Não sabia o Serra que encontravam-se por perto jornalistas da Folha de S. Paulo, que ouviram a conversa.
A reportagem está disponível aqui.
Em tempo: o que estava em votação no Supremo? A necessidade ou não de apresentar dois documentos - RG e Título de eleitor - para votar nesta eleição. Tradicionalmente basta apresentar um documento com foto - o RG. A campanha de Serra busca garantir que sejam necessários os dois documentos, dificultando assim que a população menos esclarecida efetive seu voto, por não dispor do título eleitoral em mãos.
Em tempo 2: Quando a votação foi interrompida, 7 dos 10 ministros já haviam votado a favor da dispensa do título de eleitor. Tratou-se apenas de manobra para adiar a decisão, pois o resultado já está dado.
Em tempo 3: Se a votação não for concluída hoje, no domingo os eleitores serão obrigados a apresentar os dois documentos. Lamentável.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Convite - Seminário
sábado, 11 de setembro de 2010
Campanha eleitoral e Ditadura
Nunca fui e não sou defensor do PT. Nem da Dilma. Não votarei em nenhum dos "4 grandes" (?) candidatos que estão concorrendo à eleição presidencial deste ano. Mais adiante publicarei neste blog uma declaração de votos - e, principalmente, de antivotos. Mas penso que não é possível colocar estes "figurões" da política todos como "farinha do mesmo saco". Tenho acompanhado com alguma alegria as pesquisas eleitorais, especialmente para o Senado, observando que vários velhos caciques não conseguirão se reeleger, depois de muitos [e muitos e muitos] anos como mandatários. No geral, estes são da aliança DEM-PSDB, sustentação maior do coronelismo brasileiro deste século XXI, sobretudo nas regiões Nordeste e Norte. Espero escrever sobre isso nas próximas semanas.
Mas há coisas que chateiam qualquer cidadão dotado de inteligência. Ao longo desta campanha eleitoral, recebi por diversas vezes uma suposta foto da ficha da Dilma no DOPS, a polícia da ditadura militar brasileira. E o e-mail sempre sugeria que este era um ponto conta a candidata. Com todos os defeitos que ela possa ter, ser considerada "criminosa" pela ditadura, é mérito, não demérito. Foi o que fizeram os bons militantes da época, alguns dos quais tenho a honra de conhecer.
No vídeo abaixo, gravado há cerca de 2 anos, a então ministra Dilma foi ao Senado tratar de um dos muitos escândalos do governo. Num ato de estupidez que garante a coerência com sua história política, o senador Agripino Maia - da aliança DEM-PSDB - acusa-a de ter mentido à polícia da ditadura. A resposta da Dilma, com toda a desarticulação do seu discurso, é algo que vale a pena ouvir. Em especial o final, quando ela supõe que ela, combatente da ditadura, e o referido senador, apoiador dos militares, ocupavam postos diferentes frente ao regime de exceção...
Mas há coisas que chateiam qualquer cidadão dotado de inteligência. Ao longo desta campanha eleitoral, recebi por diversas vezes uma suposta foto da ficha da Dilma no DOPS, a polícia da ditadura militar brasileira. E o e-mail sempre sugeria que este era um ponto conta a candidata. Com todos os defeitos que ela possa ter, ser considerada "criminosa" pela ditadura, é mérito, não demérito. Foi o que fizeram os bons militantes da época, alguns dos quais tenho a honra de conhecer.
No vídeo abaixo, gravado há cerca de 2 anos, a então ministra Dilma foi ao Senado tratar de um dos muitos escândalos do governo. Num ato de estupidez que garante a coerência com sua história política, o senador Agripino Maia - da aliança DEM-PSDB - acusa-a de ter mentido à polícia da ditadura. A resposta da Dilma, com toda a desarticulação do seu discurso, é algo que vale a pena ouvir. Em especial o final, quando ela supõe que ela, combatente da ditadura, e o referido senador, apoiador dos militares, ocupavam postos diferentes frente ao regime de exceção...
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Mini-curso: Ensino de Filosofia
Segue abaixo cartaz de divulgação do mini-curso que será ministrado pelo Prof. Dr. Rodrigo Pelloso Gelamo na UFABC. A taxa de inscrição é de R$30,00, com isenção para a comunidade da UFABC.
Clique aqui para acessar o currículo do prof. Rodrigo Gelamo.
Clique no cartaz para ampliá-lo.

Clique aqui para acessar o currículo do prof. Rodrigo Gelamo.
Clique no cartaz para ampliá-lo.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Convite - Curso Livre
Seguem informações sobre o próximo módulo do Curso Livre de Humanidades:
Módulo: Leituras marxistas de temas contemporâneos
O marxismo é um instrumento teórico decisivo e insubstituível para a análise e transformação da realidade social. Dispondo de recursos analíticos e críticos, o aparato conceitual marxista em suas várias vertentes possibilita a compreensão dos principais processos sociais a que estamos submetidos. Nesse módulo apresentaremos, a partir de teses e conceitos produzidos nas diferentes vertentes e tradições do marxismo, uma leitura de diversos temas que facilitam a compreensão da sociedade contemporânea.
15/9: Suze Piza - Relações entre educação e capitalismo numa perspectiva marxista.
22/9: Daniel Pansarelli - Atualidades dos Aparelhos Ideológicos de Estado.
29/9: Luci Praun e Suze Piza – Exibição do filme The Wall
06/10: Luci Praun - Cultura e indústria cultural na contemporaneidade
20/10: Oswaldo de Oliveira Santos - Atualidade da filosofia da práxis em diálogo com a teologia na América Latina
27/10: Claudete Pagotto - Esboço de uma crítica da economia solidária a partir de Karl Marx.
Horário: 18h00 às 19h20
Local: Universidade Metodista de S. Paulo, Campus Rudge Ramos
Inscrições gratuitas: cursohumanidades@metodista.br
Organização: Profa. Suze Piza
Promoção: Curso de Filosofia da UMESP (www.metodista.br/filosofia)
Módulo: Leituras marxistas de temas contemporâneos
O marxismo é um instrumento teórico decisivo e insubstituível para a análise e transformação da realidade social. Dispondo de recursos analíticos e críticos, o aparato conceitual marxista em suas várias vertentes possibilita a compreensão dos principais processos sociais a que estamos submetidos. Nesse módulo apresentaremos, a partir de teses e conceitos produzidos nas diferentes vertentes e tradições do marxismo, uma leitura de diversos temas que facilitam a compreensão da sociedade contemporânea.
15/9: Suze Piza - Relações entre educação e capitalismo numa perspectiva marxista.
22/9: Daniel Pansarelli - Atualidades dos Aparelhos Ideológicos de Estado.
29/9: Luci Praun e Suze Piza – Exibição do filme The Wall
06/10: Luci Praun - Cultura e indústria cultural na contemporaneidade
20/10: Oswaldo de Oliveira Santos - Atualidade da filosofia da práxis em diálogo com a teologia na América Latina
27/10: Claudete Pagotto - Esboço de uma crítica da economia solidária a partir de Karl Marx.
Horário: 18h00 às 19h20
Local: Universidade Metodista de S. Paulo, Campus Rudge Ramos
Inscrições gratuitas: cursohumanidades@metodista.br
Organização: Profa. Suze Piza
Promoção: Curso de Filosofia da UMESP (www.metodista.br/filosofia)
Assinar:
Postagens (Atom)
