quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vai entender... (Hegel)

Há alguns dias eu conversava colegas professores sobre a dificuldade em se estabelecer o tempo médio que se leva para fazer a leitura de textos filosóficos. Estimar um tempo é necessário para que se possa sugerir leituras exeqüíveis aos alunos - e mesmo para nossa programação pessoal. Mas a inexistência de um padrão, mínimo que seja, é consensual. Para além do tempo próprio de cada indivíduo (mais Kairos do que Chronos, existe a complexidade particular de cada texto (ou trecho de texto) filosófico.
Lembrei-me desta conversa quando me deparei novamente com a chamada dialética do senhor e do escravo, de Hegel. Transcrevo a seguir o início do trecho (Fenomenologia do Espírito, 179):

A consciência-de-si é em si e para si quando e porque é em si e para si mesma uma Outra; quer dizer, só é como algo reconhecido. O conceito dessa sua unidade em sua duplicação, ou da infinitude que se realiza na consciência-de-si, é um entrelaçamento multilateral e polissêmico. Assim seus momentos devem, de uma parte, ser mantidos rigorosamente separados, e de outra parte, nessa diferença, devem ser tomados ao mesmo tempo como não-diferences, ou seja, devem sempre ser tomados e reconhecidos em sua significação oposta.
O duplo sentido do diferente reside na própria essência da consciência-de-si: pois tem a essência de ser infinita, ou de ser imediatamente o contrário da determinidade na qual foi posta. O desdobramento do conceito dessa unidade espiritual, em sua duplicação, nos apresenta o movimento do reconhecimento


Vai entender...

4 comentários:

Luna Alcântara disse...

Esse tal de "Tempo" affs.

professor e por falar em "Tempo", deixei um "Selo" para o senhor lá no meu Blog,magialua.blogspot.com... divirta-se, rs!

Bruno disse...

Sem a psicanálise eu ia demorar bem mais pra entender esse post.

O lacan tem uma frase que dizia que o eu é um outro. O eu pra psicanálise, o ego, é algo que se aproxima da consciência, então da pra entender mais ou menos essa passagem.

A idéia talvez seja que ao mesmo tempo que a consciência se define a partir do momento em que ela toma consistência enquanto percepção quando ela toma consistência algo dela se perde.

Disso que a psicanálise vai tentar dar conta com a idéia de inconsciente.

Agora que eu descobri o seu blog vou passar d evez em quando aqui comentar os seus post professor^^ tenho certeza que vai ser produtivo^^

Bruno disse...

Não acho que dê pra sustentar uma concepção de ser humano que prescnda da idéia de inconsciente.

Pelo menos na nossa cultura ocidental.

Francisco. disse...

Hegel, acredito que nem ele mesmo entendia-se, a própria personalidade dele era "em si" rss enigmática. Os seus textos... densos... obscuros... Interessante, fui entender Hegel melhor quando comecei a estudar Marx, isto porque a teoria de Marx é um crítca ao pensamneto de Hegel. BAcana procurar entender a "consciência" hegeliana, ela também nos ajuda a sair do processo de alienação, visto que todo processo dialético se dá a partir da consiência de si mesmo!Ah professor, mudei o endereço do Filosofia e Vida! Um abraço!