quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Veja Só

Todos sabemos que a postura imparcial não existe. Assim como não há filosofia ou ciência imparcial (Thomas Kuhn bem nos falou sobre isso), não há jornalismo imparcial. Mas entre a parcialidade involuntária e o uso descaradamente ideológico dos grandes veículos de comunicação, há uma grande diferença. Há coisas que considero criminosas...
Reproduzo abaixo a capa de uma edição deste mês da Revista Veja. Trata-se apenas da capa da revista, que fui revelando aos poucos, em cada uma das imagens abaixo, para que o leitor do Blog possa refletir sobre cada nova imagem que aparece. Veja se não é mesmo o fim!


(Clique nas imagens para ampliá-las)









terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Freire, entre Cristo e Marx

Revi ontem a última entrevista concedida por Paulo Freire, pouco antes de sua morte. Freire é destes oradores carismáticos, que envolve o interlocutor em suas palavras e em seus modos. Mais religioso que marxista - penso - pode representar bem o ambiente natalino em um blog ateu.
Reproduzo abaixo o vídeo com a entrevista, em duas partes:


Parte I


Parte II

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Botequim das letras

Há algumas semanas, recebi de um amigo o link para um texto jornalístico que defendia a importância da leitura dos clássicos da filosofia - e não apenas dos seus comentadores. O tumulto típico de professor em final de ano não me havia permitido ler a tal reportagem. Apenas agora o fiz. A certa altura, o autor escreve:

"[...]Este é o valor dos clássicos, inclusive os de filosofia. Como diria Peirce, pensamentos 'baratos' são encontrados facilmente em qualquer 'botequim das letras'. Mas uma filosofia original, que vai atravessar séculos e ainda permanecer atual, não se adquire facilmente."

Sou apreciador de um bom botequim, mas concordo com o sentido da questão. A regra tão difundida e publicamente assumida por tantos, ainda é pouco praticada: é preciso ler os clássicos.

A reportagem completa está disponível neste link (clique aqui).

domingo, 20 de dezembro de 2009

Subterrâneos da democracia

A democracia é um dos maiores - e se não o maior - ídolos do nosso tempo. Não há quem, no mundo ocidental, fale contra seus princípios. Aqueles a quem se quer condenar, chama-se por antidemocráticos (que, equivocadamente, em nosso tempo traduz-se por ditadores, pura e simplesmente).
Mas a democracia é notadamente uma fachada. Discurso hipócrita por se pretender total, absoluto, mas válido apenas parcialmente na realidade prática.
Reproduzo abaixo um texto-denúncia, das ações anti-democráticas praticadas pelos EUA - exemplo da democracia mundial (!?) - em Cuba e Venezuela. A autora é advogada estadunidense, especialista em direitos humanos internacionais e participou da formação da Corte Penal Internacional em Haia.

Agente da CIA é capturado em Cuba

Funcionário de uma empresa de fachada da CIA que financia a desestabilização na Venezuela foi detido em Cuba enquanto repartia recursos para a contrarrevolução.
Por Eva Golinger*


Um artigo publicado no sábado dia 12 de dezembro de 2009 no New York Times revelou que um contratista do governo dos Estados Unidos foi detido em Havana no dia 5 de dezembro enquanto repartia telefones celulares, computadores e outros equipamentos de comunicação com grupos da contrarrevolução. O funcionário, cujo nome ainda não foi tornado público, trabalha para a empresa estadunidense Development Alternatives Inc. (DAI), uma das grandes contratistas do Departamento de Estado, do Pentágono e da Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID).
No ano passado, o Congresso dos Estados Unidos aprovou 40 milhões de dólares para “promover a transição para a democracia” em Cuba. Para a DAI foi concedido o contrato principal, o “Programa de Democracia em Cuba e Planificação de Contingências”, que além do mais autorizava o emprego de subcontratistas supervisionados pela empresa DAI. O uso de uma cadeia de organismos é um mecanismo que emprega a Agência Central de Inteligência (CIA) para canalizar e filtrar fundos e apoio político e estratégico a grupos e pessoas que promovem sua agenda no exterior.

A DAI NA VENEZUELA
A DAI foi contratada em junho de 2002 pela USAID para manejar um contrato multimilionário na Venezuela, justamente dois meses depois do fracasso do golpe de Estado contra o Presidente Hugo Chávez. Antes disso, a USAID não operava na Venezuela, nem mantinha escritórios no país. A DAI foi encarregada de abrir o Escritório para as Iniciativas rumo a uma Transição (OTI, sigla em inglês), um braço especializado da USAID encarregado de distribuir fundos multimilionários para organizações favoráveis aos interesses de Washington em países estrategicamente importantes que passam por crises políticas.
O primeiro contrato entre a USAID e a DAI para suas operações na Venezuela autorizava o uso de 10 milhões de dólares por um jornal de dois anos. A DAI abriu as suas portas no setor financeiro de Caracas, O Rosal, em agosto de 2002, e começou imediatamente a financiar os grupos que há apenas alguns meses haviam executado sem êxito o golpe de Estado contra o Presidente Chávez.
Os fundos da USAID/DAI na Venezuela foram repartidos durante esse primeiro ano para organizações como a Fedecâmaras e a Confederação dos Trabalhadores Venezuelanos (CTV), dois dos principais grupos que executaram o golpe em abril de 2002 e que logo encabeçaram uma sabotagem econômica, uma paralisação petroleira e uma guerra midiática com o propósito de derrubar o governo venezuelano. Um contrato entre a DAI e estas organizações, datado de dezembro de 2002, dava mais de 10 mil dólares para o plano de propaganda em rádio e televisão a favor da Coordenação Democrática, a coalizão das forças opositoras ao presidente Chávez.
Em fevereiro de 2003, a DAI começou a financiar um grupo recém criado com o nome Súmate, liderado por Maria Corina Machado, que foi uma das apoiadoras do “Decreto Carmona”², famoso decreto que dissolveu todas as instituições democráticas da Venezuela – desde a Assembleia Nacional, o poder Executivo e o Tribunal Supremo de Justiça, entre outras – durante o golpe de Estado de abril de 2002. O Súmate logo se converteu no principal organismo da oposição que planejava e coordenava as campanhas eleitorais, incluindo o referendo revogatório contra o presidente Chávez em agosto de 2004. Os três principais organismos de Washington que operavam na Venezuela naquele momento, a USAID, a DAI e o “National Endowment for Democracy” (NED), investiram mais de 9 milhões de dólares na campanha da oposição durante esse referendo, sem êxito.
A USAID na Venezuela, que ainda mantém sua principal presença através da OTI e da DAI, tinha previsto uma estadia de não mais de dois anos no país. O então chefe da OTI na Venezuela, Ronald Ulrich, afirmou publicamente ao começo de seus trabalhos, em agosto de 2002, que “Este programa terminará em dois anos, como tem sido com iniciativas similares em outros países; o escritório se fechará após este período”.
Tecnicamente, as OTI são equipes de resposta rápida da USAID, equipadas com fundos líquidos de altas quantidades e com um pessoal especializado para “resolver uma crise” de maneira favorável para Washington. No documento pelo qual se estabeleceu a operação da OTI na Venezuela, se explicava claramente os objetivos, “Nos últimos meses, sua popularidade tem caído e as tensões políticas têm aumentado dramaticamente, já que o presidente Chávez pôs em prática várias reformas controversas. A situação atual aponta fortemente para uma participação rápida do governo dos Estados Unidos”.
Até esta data, a OTI ainda permanece na Venezuela, com a DAI como a sua principal contratista, mas agora com quatro outras entidades que compartilham o bolo multimilionário da USAID em Caracas: o Instituto Republicano Internacional (IRI), o Instituto Democrático Nacional (NDI), Freedom House e a PanAmerican Development Foundation (PADF). Dos 64 grupos que financiavam em 2004 com 5 milhões de dólares anuais, hoje financiam mais de 533 organizações, partidos políticos, programas e projetos da oposição com um orçamento de mais de 7 milhões de dólares anuais. Sua presença não apenas tem sido mantida no país, também tem crescido. Obviamente isto se deve a uma razão muito simples: ainda não conseguiram o seu objetivo original, derrubar o governo de Hugo Chávez.

O DEVELOPMENT ALTERNATIVES INC. É UMA FACHADA DA CIA
Agora aparece em Cuba este organismo de desestabilização, com fundos multimilionários destinados à destruição da Revolução Cubana. O antigo funcionário da CIA, Phillip Agee, afirmou que a DAI, tanto como a USAID e o NED, “são instrumentos da embaixada dos Estados Unidos e por trás destas três organizações está a CIA”. De fato, o contrato da USAID com a DAI na Venezuela dizia especificamente que “o representante local manterá uma estreita colaboração com os funcionários da embaixada para identificar oportunidades, selecionar colaboradores e garantir que o programa mantenha sua coerência com a política exterior dos Estados Unidos”. Não deixa dúvida sobre o seu trabalho de captação de agentes a serviço dos interesses de Washington, nem que sua presença e suas atividades são diretamente coordenadas pela embaixada de Washington.
A detenção do funcionário da DAI é um passo muito importante para frear as ações de desestabilização dentro de Cuba, dirigidas por Washington. Também comprova que não existe mudança alguma com a administração de Barack Obama quanto à política de Washington contra Cuba – seguem empregando e utilizando as mesmas táticas de espionagem, infiltração e subversão como nos anos anteriores.

A VENEZUELA DEVE TAMBÉM EXPULSAR A DAI DO PAÍS

Agora que Cuba desvelou o trabalho de inteligência (captação de agentes, infiltração nos grupos políticos e entrega de recursos para promover a desestabilização são atividades de inteligência) que realizava a DAI na ilha caribenha, o governo da Venezuela deve responder de maneira contundente para livrar seu país desta grave ameaça interna, que durante sete anos e meio tem alimentado com mais de 50 milhões de dólares a desestabilização e a oposição interna. Não é à toa que nos Estados Unidos haja cinco cidadãos cubanos presos por supostos atos de espionagem, mesmo que suas ações não atentassem contra os interesses estadunidenses. Pelo contrário, o funcionário detido da DAI – uma fachada da CIA –, este sim estava atentando contra os interesses de Cuba, promovendo a desestabilização interna e repartindo – de forma ilegal – materiais e recursos de Washington que estavam destinados a alimentar um conflito que provocaria “uma transição política” favorável ao programa dos Estados Unidos. A Development Alternatives Inc. é uma das maiores contratistas de Washington no mundo. Atualmente tem um contrato de 50 milhões de dólares no Afeganistão. Na América Latina, opera na Bolivia, Brasil, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Peru, República Dominicana e Venezuela.

* Eva Golinger é advogada estadunidense, especialista em direitos humanos internacionais e direito de imigração. Participou da formação da Corte Penal Internacional em Haia.
(tradução de Rodrigo Oliveira Fonseca. Original em
http://www.aporrea.org/internacionales/a91659.html)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Filosofia necessária

Há quase dois anos fiz no Blog duas postagens defendendo a necessidade da Filosofia no nosso mundo atual (e em todas as atualidades). Por motivos diversos, o assunto me volta à tona. Estas postagens estão nos links abaixo:

- Contra o emburrecimento (clique aqui)

- O abuso é sempre regra (clique aqui)

Embora o contexto fosse outro, estes são argumentos que permanecem. Neste momento, para mim, em especial o do segundo link.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Direitos das mulheres e dos homens

Hoje aniversaria a Declaração Universal dos Direitos Humanos. É um documento, e é importante. O que significa duas coisas: sua importância é restrita à limitada importância de um documento, que não sai de si mesmo para realizar-se no mundo - esse transpassamento depende das ações humanas, não do documento em si; mas é um documento que, como princípio, diz o que é e o que não é de direito, sem o qual não haveria princípio que permitisse a uma comunidade racional julgar os atos globalmente condenáveis.
Para lembrar da Declaração Universal, reproduzo abaixo uma outra declaração, menos famosa mas de sentido muito parecido: ainda durante os "anos de chumbo" da ditadura militar no Brasil, Raul Seixas leu sua censurada "A Lei" em um grande show, declarando os direitos que considerava como tal. Anos mais tarde este texto (A Lei) viria a ser gravado em uma música própria. E "viva a sociedade alternativa":


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Convite

Reproduzo abaixo um convite para a palestra que ministrarei amanhã na Casa da Palavra, em Santo André, bem como para outros eventos que ocorrerão lá esta semana.

Casa da Palavra – Programação da Semana

Praça do Carmo, 171, Centro – Santo André, SP

Telefone: 4992-7218

Dia 8 - Diálogos Filosóficos – Encerramento do Projeto Terças Filosóficas

Terça-Feira, das 19h às 21h. Com Daniel Pansarelli

Nesta última aula do nosso curso, será procedida a construção de um diálogo fictício entre filósofos e pensadores de outras áreas, que se relacionaram com a Filosofia. Dentre eles, ocupam lugar destacado Sigmund Freud, Thomas Kuhn e Marcelo Gleiser. Suas provocações serão explicitadas e confrontadas com o pensamento de filósofos modernos e contemporâneos, com destaque para René Descartes, Paul Ricoeur e Michel Foucault.

Dia 10 – O sagrado na literatura infantil e juvenil

Quinta-Feira, das 19h às 21h. Com Maria Auxiliadora Fontana Baseio

O encontro pretende mostrar como as imagens sagradas estão presentes nos contos de fadas e na literatura brasileira e africana destinada a crianças e jovens.

Dia 12 – Oralidades em Trânsito

Sábado de manhã (das 10h às 12h) - Entrevistas aplicadas: análise

Sábado à tarde (das 14h às 16h) - Preparação de originais: Publicação e leitura de entrevistas de história oral

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O mito da criação (da filosofia)

O autor a quem venho dedicando a maior parte dos meus estudos, Enrique Dussel, vem propondo em suas últimas obras (Ética da Libertação e Política da Libertação , esta última em três volumes, o último ainda a publicar) uma releitura da história que tenha como princípio um além-ocidente. Dito de outra forma: se tentássemos interpretar a história do mundo sem termos como referenciais inabaláveis os marcos eleitos como relevantes pelo Ocidente, como resultaria esta interpretação?
As descobertas de Dussel são, no mínimo instigantes. Coisas que, muitas vezes, sabemos, mas não levamos a sério, apesar de sua imensa importância. Descartamo-as autoritariamente. Se não por autoritarismo, por que não estudamos os egípcios mesmo depois de ler em Aristóteles que a origem da sabedoria grega está nos sábios egípcios (Met., I, 1; 981b, 22-26)?
Partindo de pontos como este, Dussel se dedica ao estudo das civilizações e dos povos não ocidentais, encontrando maravilhas que conhecemos como gregas, existindo 2 mil anos antes dos gregos. O autor nos mostra princípios de organização política e racional em um passado muito mais remoto do que o tempo que decidimos, miticamente, estabelecer como início - a grécia helênica. E nos lembra:
O que posteriormente será conhecida como Grécia Clássica era, no IV milênio a.C. um mundo bárbaro, periférico, colonial e meramente ocidental com relação ao oriente do Mediterrâneo, que desde o Nilo ao Tigre, constituía o "sistema" civilizatório nuclear. (Ética da Lib., p. 25)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sopreposição de escândalos

Daqui do "mundo dos humanos", fico imaginando que quando um político brasileiro se vê metido num grande escândalo, fica torcendo para outro escândalo, mais atual, aparecer logo, pois essa será sua tábua de salvação. A governadora do Rio Grande do Sul não conseguiu provar que estava "limpa" em relação ao desvio de verbas no DETRAN gaúcho (um escândalo!), mas valeu-se da maioria de apoiadores na Assembléia para não ser impedida (outro escândalo!). Voltou a aparecer na imprensa apenas quando ganharam destaque as acusações contra o presidente do senado e terceiro cidadão na hierarquia da República, o Sarney, que, desta vez, contratava pessoas para o Senado Federal e dava aumentos salariais sem que as informação fosse publicada em qualquer tipo de veículo institucional ou oficial (que escândalo!). Dentre os contratados, seus parentes, amigos, protegidos (escândalo!)... As críticas foram tantas que ele, presidente do senado, foi o congressista que mais faltou ao trabalho ao longo do ano (escândalo! escândalo!)(veja a informação no site Congresso em Foco).
A sorte do Sarney foi o Arruda, governador do Distrito Federal, que foi filmado recebendo dinheiro ilícito para sua campanha (outro escândalo!), colocando nos bolsos, meias, cueca... Esse mesmo Arruda havia renunciado ao cargo de senador quando se descobriu que ele fraudava o painel eletrônico que registra as votações do Senado - votações que definem a legislação brasileira (um velho escândalo, que caiu no esquecimento quando outro ganhou o palco).
Arruda, que é a bola da vez, e suas meias cheias de dinheiro, viraram charge com direito a trocadilho maquiavélico:


Charge publicada por Dálcio no jornal Correio Popular

domingo, 29 de novembro de 2009

Dois lados da ditadura

Duas notícias divulgadas esta semana apresentam personalidades públicas que estiveram, de lados opostos, envolvidos com a ditadura militar brasileira.
A primeira notícia, que pode ser acessada aqui, anuncia a decisão judicial de cosiderar o finado educador Paulo Freire como anistiado político. Perseguido e exilado, Freire ganha o status de anistiado muito depois de morto. Sua família receberá a indenização que foi considerada devida.


O outro lado, noticiado neste link, informa que o Ministério Público Federal ajuizou ação contra Paulo Maluf e Romeu Tuma, por ocultação de cadáveres de assassinados políticos da ditadura. Os corpos foram encontrados apenas da década de 1990, nas valas coletivas e clandestinas dos cemitérios de Perus e Vila Formosa. Maluf, atual deputado federal, era prefeito biônico da cidade na ocasião; e o hoje senador Tuma era chefe da polícia da ditadura, o DOPS. Ambos serão candidatos a reeleição no próximo ano...

sábado, 28 de novembro de 2009

Engels

No dia 28 de novembro de 1820, há 189 anos, nascia Friedrich Engels, parceiro e grande influenciador de Marx nas elaborações teóricas e na práxis comunista. Aos 27 anos assina, com Marx, o Manifesto do Partido Comunista, além de responder pela co-autoria e autoria de diversos clássicos da literatura comunista.
Já tive oportunidade de protestar, aqui no Blog, contra o velamento que é comumente imposto a Engels e sua obra: ainda que seja comum as agremiações comunistas referirem-se a "Marx, Engels e Lenin", sempre em conjunto, Marx e Lenin são pauta freqüente. A figura de Engels é inadequadamente ofuscada, até mesmo quando se atribui apenas a Marx a autoria das muitas obras que escreveram em conjunto (quantas vezes não ouvimos falar sobre o Manifesto, de Marx; ou sobre Marx, em A ideologia alemã...).
Se é verdade que O capital (este sim, de Marx) constitui a obra magna do movimento comunista internacional, não se pode negar o empenho de Engels em abordar, à sua maneira, temas que se não constituem o foco central da literatura comunista, lhe dá a necessária sustentação. Os famosos Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem e A origem da família, da propriedade e do estado são exemplo disto. Também pode ser tomado como especialmente relevante A situação da classe operária na Inglaterra, texto que, segundo algumas versões, foi parcialmente responsável por fazer de Marx um marxista.
Fica o convite à leitura da obra de Engels, de quem Marx foi parceiro. Há alguns textos disponíveis no site do Partido Comunista Brasileiro - PCB (clique aqui) outros vários textos estão disponíveis nos Arquivos Marxistas na Internet (MIA) - clique aqui.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Política e Cidadania

Acaba de ser publicada a nova edição da Revista Múltiplas Leituras, da Faculdade de Humanidades e Direito da Universidade Metodista de São Paulo. Como parte desta edição, organizei um Dossiê Políticas e Cidadania em leituras múltiplas, que contou com artigos de diversos pesquisadores de universidades brasileiras.
O acesso aos textos integrais é possível clicando aqui.

Reproduzo abaixo o sumário da revista:


Editorial
Marília Claret Geraes Duran 1-2

Dossiê - Política e Cidadania

Apresentação do Dossiê
Daniel Pansarelli 5-7

Para uma história da relação ética-política
Daniel Pansarelli 9-24

Paulo Freire e Gramsci: contribuições para pensar educação, política e cidadania no contexto neoliberal
Elydio Santos Neto 25-39

Política e cidadania: práticas sociais possíveis
Marilene de Melo Vieira 41-59

O paradoxo da cidadania
Lucieneida Dováo Praun 61-69

Mídia e (i) responsabilidade cultural
Olga Aparecida do Nascimento Loyola 71-79

Raça e controle social no pensamento de Nina Rodrigues
Elisa Rodrigues 81-107

Três originalidades e um velho caminho
Mauro Luís Iasi 109-120

Religião e ética: sob as sombras do iluminismo
Frederico P. Pires 121-131

2ª Parte - Pedagogia e Pedagogos: Caminhos, Tramas e Desafios
3ª Parte – Letras e Escrituras: Traduções, Interfaces e Diálogos
Temas polêmicos
Revisitando dossiês
Resenha

ISSN: 1982-8993

domingo, 22 de novembro de 2009

O montante

Replico abaixo matéria publicada hoje na Folha de S. Paulo, sobre o desvio de verbas públicas por parte dos deputados federais. São empresas fantasma que emitem notas por serviços não prestados, justificando assim que o deputado saque a "verba indenizatória" mensal, que é de até R$15.000,00 por parlamentar. Para lembrar:
- a verba já está pré-aprovada, bastando ao parlamentar apresentar as notas dos gastos para sacá-la;
- o salário do deputado federal, da ordem de R$16.000,00 não está implicado nesta verba, que é um "extra"; também correm por fora os salários dos assessores e outros gastos que contam com verba específica, tais como passagens de avião, publicidade etc.
- são 513 os deputados federais, cada um tendo direito aos R$15.000,00 mensais da tal verba indenizatória. Se a matemática não mudou, os gastos totais com estes recursos pré-aprovados chegam, na Câmara, a R$7.695.000,00 por mês. Isso equivale a R$92.340.000,00 por ano. Ou ainda R$369.360.000,00 por legislatura (de 4 anos). Quase trezentos e setenta MILHÕES de reais.
Segue abaixo a reportagem.


Arquivo sigiloso da Câmara revela notas de "fantasmas"

Documentos obtidos pela Folha na Justiça somam 2.000 páginas com dados de 70 mil notas

Notas fiscais utilizadas para justificar verba indenizatória levam a endereços fictícios, empresas desconhecidas do mercado ou clandestinas

Lula Marques/Folha Imagem
A SC Comunicações, empresa mais contemplada pela verba de ‘consultoria, pesquisas e trabalhos técnicos‘, tem como sede uma casa em Luziânia (GO). Nem a moradora nem o dono do imóvel dizem conhecer a firma, que emitiu notas para dez deputados e ex-deputados

ALAN GRIPP
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Documentos mantidos até agora sob sigilo pela Câmara mostram que empresas de fachada ou com endereços fantasmas são beneficiárias do dinheiro que a Casa destina para a atividade parlamentar.
A Folha obteve por via judicial as informações de cerca de 70 mil notas fiscais que foram objeto de reembolso aos deputados federais nos últimos quatro meses de 2008. É uma pequena amostra da caixa-preta que o Congresso mantém desde 2001, quando foi criada a verba indenizatória, adicional mensal de R$ 15 mil para despesas de trabalho (o salário de um deputado é R$ 16,5 mil).
Nas duas últimas semanas, a Folha analisou cerca de 2.000 páginas entregues pela Câmara ao Supremo Tribunal Federal a partir de mandado de segurança e percorreu endereços em cinco Estados e no Distrito Federal para checar os dados.
Deparou-se com uma série de endereços fictícios e com empresas que são totalmente desconhecidas do mercado. Os deputados que usaram notas dessas empresas alegam que os serviços foram prestados e dizem que não podem responder por eventuais problemas delas.
Um deles, Marcio Junqueira (DEM-RR), recebeu pelo aluguel de carros reembolsos mensais de cerca de R$ 15 mil da PVC Multimarcas. A empresa é do advogado do parlamentar, Victor Korst, e tem como endereço o escritório deste.
Criada há pouco mais de um ano, a PVC emitiu ao deputado notas fiscais de numerações inferiores a dez, o que indica que Junqueira é possivelmente seu único cliente. "Se você for dar nota de tudo o que faz e pagar todos os impostos, você morre de fome", justificou-se Korst.
Após abril deste ano, quando a Câmara passou a divulgar na internet os dados da verba, Junqueira deixou de pedir reembolso pelo serviço: "Acho que ele não teve ainda a felicidade de fazer com outros os contratos que fez comigo".

Endereços falsos
São muitos os casos de empresas que não existem nos endereços informados à Receita, situação que pode configurar crimes como falsidade ideológica e contra a ordem tributária (dois a cinco anos de prisão).
Os deputados baianos Severiano Alves (PMDB) e Uldurico Pinto (PHS) entregaram uma série de notas da Valente & Bueno Assessoria Empresarial, que informou à Receita funcionar num apartamento na Asa Sul de Brasília. O dono do imóvel nunca ouviu falar da firma.
No período analisado, a Valente & Bueno teria recebido R$ 56 mil dos dois deputados, mas, segundo eles, os pagamentos remontam a 2006, o que elevaria o valor a pelo menos R$ 350 mil se o padrão de pagamentos for constante. Severiano e Uldurico disseram que os serviços foram prestados, mas não souberam detalhá-los.
Severiano falou que a assessoria era "consultoria de mídia, principalmente" e que interrompeu os trabalhos em abril porque a Câmara teria proibido a contratação de consultorias, o que não é verdade. Uldurico disse não se lembrar exatamente o que solicitou -foram "trabalhos jurídicos, específicos".
Líder em volume de recursos no quesito "consultoria", com R$ 115 mil, a SC Comunicações e Eventos, que emitiu notas para dez deputados e ex-deputados, também não é conhecida em seu endereço oficial, uma casa simples em Luziânia (GO).
"Nunca funcionou nenhuma empresa ali, isso eu posso garantir", afirmou o caminhoneiro Giovani Braz de Queiroz, dono do imóvel há 12 anos.
Proprietário da SC, o jornalista Umberto de Campos Goularte, assessor do senador João Durval (PDT-BA), diz que o endereço inexistente se deve a um erro de seu contador e que ele prestou serviços de assessoria de imprensa, atividade para a qual os deputados já têm verbas específicas -R$ 60 mil ao mês.
Goularte disse ainda que a SC fica em Luziânia porque é lá que vive o seu contador e que a empresa cumpre "todas as suas obrigações". Segundo a prefeitura da cidade, porém, a empresa não recolhe ISS (Imposto Sobre Serviços) desde 2007.
Dois dos deputados que entregaram notas da SC contaram versão distinta, afirmando que a assessoria ou era jurídica ou produzia pareceres políticos.
Outra empresa, a Seven Promoções, emitiu em três meses notas de numeração 1, 2 e 3 a Zezéu Ribeiro (PT-BA), indício de que "trabalhava" exclusivamente para o deputado. Apesar de ter sido aberta em 1999, a firma só emitiu as primeiras notas em 2008. No endereço citado, em Brasília, funciona uma corretora de planos de saúde.
Já o aluguel de carros segue uma lógica peculiar: as empresas ou apresentam endereços fantasmas ou dizem funcionar em locais sem qualquer identificação, que abrigam outras empresas, atuando quase que só para atender deputados.
A Meridiano Locação de Equipamentos dá como endereço o de uma firma de saneamento. A Information Systems Tecnologia se apresenta na fachada como comércio de cartões telefônicos, embora conste como locadora de carros. Sem se identificar, aFolha tentou alugar carros nas duas, e ouviu que o serviço não era prestado. Após a reportagem questionar os deputados, a Meridiano e a Information disseram que seus funcionários se equivocaram.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

2012

O Blog anda de vagar nas últimas semanas. Resultado de um duplo acúmulo: a necessidade de concluir a elaboração da minha tese de doutorado, aliada à minha participação em dois congressos acadêmicos internacionais...
Mesmo estando "longe", vi essa charge abaixo e não pude deixar de reproduzi-la aqui.


sábado, 31 de outubro de 2009

Carta à ANPOCS

Reproduzo abaixo a carta emitida pelo professor Caio Toledo à ANPOCS - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (site aqui) - sobre a postura da Entidade na realização de seu mais importante evento, a Reunião Anual.
A carta fala por si, dispensa quaisquer comentários:


Campinas, 30 outubro de 2009.

À DIREÇÃO DA ANPOCS,

Cumprimento a Direção da ANPOCS pela realização da bem sucedida 33ª. Reunião Anual que ontem teve seus trabalhos encerrados na cidade de Caxambu, MG. Com o único propósito de colaborar com a organização de futuros encontros, não posso, contudo, deixar de fazer dois reparos críticos à organização desta reunião.
a) Considero um equívoco intelectual e político a Direção da ANPOCS aceitar recursos financeiros de um governo estrangeiro que, ontem e hoje, implementa uma política externa de natureza intervencionista e belicista. Por seu simbolismo, a presença de um representante da American Embassy no Brasil na mesa de abertura da 33ª. Reunião anual da entidade compromete a trajetória acadêmica, teórica e política da entidade. Trajetória – deve-se reafirmar – que sempre esteve orientada por valores, ideais e objetivos inestimáveis; entre outros, o exercício do pensamento crítico, a luta pela conquista e a consolidação da democracia política no Brasil, o repúdio a toda forma de discriminação (social, ética, sexual etc.), a denúncia das intervenções militares – hoje hegemonizadas pelos governos norte-americanos – que comprometem radicalmente a paz mundial etc. Creio, assim, que a imperiosa necessidade de buscar recursos financeiros para a realização das Reuniões anuais deveria ser coerente com os elevados fins e objetivos que, desde sua criação, têm justificado a existência da ANPOCS;
b) Considero que os recursos financeiros advindos de órgãos públicos nacionais – sempre bem vindos e necessários para a organização das reuniões anuais – devem ter uma estrita destinação pública. Certamente é justificável que os pesquisadores que participam das sessões de trabalhos e os interessados em receber um certificado de participação, chancelado pela ANPOCS, paguem uma taxa de inscrição. Injustificável, porém, é a entidade – que nesta edição recebeu recursos financeiros do BNDES, CAPES, CNPq, FAPEMIG, FAPERJ, FAPESP, IPEA, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do Desenvolvimento Social, Ministério da Justiça e da Reitoria da USP – ter instruído seus funcionários (postados à entrada das salas dos GT´s, Cursos, Simpósios etc.) no sentido de barrar a entrada de quem não portava um crachá de identificação!
Não podendo pagar uma taxa de inscrição, os professores do ensino médio ou os cidadãos comuns residentes na cidade ou na vizinhança de Caxambu (para não falar de desinformados estudantes universitários vindos de diferentes partes do país) – todos motivados e interessados pelas atividades programadas nesta 33a. Reunião anual –, ficaram privados de conhecer os debates e as pesquisas que hoje orientam os cientistas sociais no Brasil.
Cordialmente,

saudações acadêmicas
caio toledo
professor colaborador unicamp

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vai entender... (Hegel)

Há alguns dias eu conversava colegas professores sobre a dificuldade em se estabelecer o tempo médio que se leva para fazer a leitura de textos filosóficos. Estimar um tempo é necessário para que se possa sugerir leituras exeqüíveis aos alunos - e mesmo para nossa programação pessoal. Mas a inexistência de um padrão, mínimo que seja, é consensual. Para além do tempo próprio de cada indivíduo (mais Kairos do que Chronos, existe a complexidade particular de cada texto (ou trecho de texto) filosófico.
Lembrei-me desta conversa quando me deparei novamente com a chamada dialética do senhor e do escravo, de Hegel. Transcrevo a seguir o início do trecho (Fenomenologia do Espírito, 179):

A consciência-de-si é em si e para si quando e porque é em si e para si mesma uma Outra; quer dizer, só é como algo reconhecido. O conceito dessa sua unidade em sua duplicação, ou da infinitude que se realiza na consciência-de-si, é um entrelaçamento multilateral e polissêmico. Assim seus momentos devem, de uma parte, ser mantidos rigorosamente separados, e de outra parte, nessa diferença, devem ser tomados ao mesmo tempo como não-diferences, ou seja, devem sempre ser tomados e reconhecidos em sua significação oposta.
O duplo sentido do diferente reside na própria essência da consciência-de-si: pois tem a essência de ser infinita, ou de ser imediatamente o contrário da determinidade na qual foi posta. O desdobramento do conceito dessa unidade espiritual, em sua duplicação, nos apresenta o movimento do reconhecimento


Vai entender...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ética contemporânea

Segue abaixo o convite para uma palestra que ministrarei na próxima terça-feira. Será bom ver os amigos por lá.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Professores de filosofia

Segue abaixo divulgação do IV Encontro de Professores de Filosofia do ABC, que ocorrerá na manhã do dia 24/10, no Campus Rudge Ramos da Universidade Metodista de São Paulo, com a presença dos professores Marcos Lorieri (ver currículo) e Carlos Motta (ver currículo).
Clique aqui para fazer sua inscrição.
Clique no cartaz abaixo para mais informações.


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Dossiê: Revolução Chinesa

Há alguns dias comemorou-se (ou, para alguns, lamentou-se) os 60 anos da Revolução Chinesa. São superficiais e levianas a maioria das críticas que ouço a respeito dos feitos de Mao e seus seguidores. O que não absolutamente não significa que nada há a criticar.
A Revista Espaço Acadêmico, respeitado veículo que consegue articular com maestria militância política pluripartidária e mundo acadêmico, publicou em sua recente edição nº 101 um interessantíssimo dossiê sobre o assunto. O material pode ser acessado no sítio da revista - clique aqui.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Estudos d'O Capital

O Grupo de Estudos Comunistas, que mantenho juntamente com outros colegas na Universidade Metodista de S. Paulo iniciará na próxima semana um longo ciclo de Estudos d'O Capital, de Marx. A proposta é discutir cada um dos capítulos que compõem a obra.
Neste semestre, os encontros ocorrerão às terças-feiras, das 17h30 às 19h00. A atividade é aberta a todos os interessados. Para mais detalhes e informações, clique na imagem abaixo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Jerusalém

Quando a gente pensa que já viu muito na vida, descobre que há sempre espaço para novos espantos...
Procurando materiais para preparar uma aula sobre globalização e relações internacionais, que ministrarei no curso de Ciências Sociais, me deparei com a música de um judeu ortodoxo, de nome Matisyahu. A canção se chama Jerusalém. Até aqui, nada demais. Meu espanto veio quando cliquei no "play", do vídeo abaixo... (boa diversão!)


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Evento: Sofística

Segue abaixo a divulgação de um outro evento, a realizar-se também no dia 23/9 (mesmo dia do "Curso Livre de Humanidades", duas postagens abaixo, mas em horário diferente). O endereço é o mesmo: Rua Alfeu Tavares, 149, Rudge Ramos, São Bernardo do Campo. O evento é gratuito e aberto à comunidade.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Concurso a vista

Segue abaixo notícia publicada ontem no site do Governo do Estado de S. Paulo:

Governo realizará concurso para contratar 10 mil professores

Aprovados serão os primeiros a passarem pela Escola de Formação de Professores


O governador José Serra autorizou na segunda-feira, 14, por meio de um despacho, a abertura de um concurso público para viabilizar o preenchimento de 10.083 vagas de professores de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental e Ensino Médio. Este é o número inicial de vagas para a primeira convocação de aprovados. O decreto do governador também prevê que o mesmo concurso possa efetivar candidatos aprovados em vagas remanescentes que surgirem durante o prazo de validade do concurso.

Os aprovados terão que passar por um curso oferecido gratuitamente pela Escola de Formação de Professores do Estado de São Paulo, obrigatório para novos professores da rede pública.

O curso integra o Programa +Qualidade na Escola, que traz medidas importantes para melhorar a qualidade da educação no Estado. Serão 360 horas de formação durante quatro meses com atividades semipresenciais e práticas escolares. "Estamos enfrentando com muito vigor um problema fundamental da educação, que é melhorar a preparação do professor para o aprendizado dos alunos", diz o secretário da Educação, Paulo Renato Souza.

Após a publicação do despacho no Diário Oficial, o secretário instituiu uma comissão presidida pela professora Vera Cabral, diretora da Escola de Formação de Professores do Estado de São Paulo, que ficará encarregada de indicar o temas e a bibliografia, definindo os critérios da prova. De acordo com a professora, a previsão é que os exames sejam realizados em março de 2010.

Rede

Atuam hoje na rede pública estadual 210 mil professores, sendo 130 mil efetivos e 80 mil temporários. São 5.300 escolas onde estudam cinco milhões de estudantes. As medidas do Programa + Qualidade na Escola seguem outras ações adotadas pelo Governo para melhorar a qualidade da educação, como a política de bonificação e avaliação do desempenho, o programa Ler e Escrever, a definição de currículos e diversas formas de recuperação do aprendizado. "É um trabalho consistente e corajoso que vai melhorar a qualidade da nossa educação", diz o secretário.


Para ver a notícia original, clique aqui (link externo)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Curso livre: Marxismo

Segue abaixo divulgação do Curso Livre de Humanidades, que terá como temática geral de seu primeiro módulo o MARXISMO. O curso, organizado pela profa. Suze Piza, será ministrado por ela e pelos professores Claudete Pagotto, Luci Praun, Cesar Mangolin, Oswaldo Santos Jr. e eu. (clique sobre os nomes para acessar os currículos dos docentes).
As inscrições são gratuitas e o evento é aberto à comunidade em geral. Para inscrever-se, mande um e-mail para filosofia@metodista.br, com seus dados pessoais. Os participantes serão certificados.
Segue abaixo cartaz de divulgação (clique na imagem para ampliá-la).


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sobre o "11 de setembro"

Convido os leitores a rever uma postagem que fiz, aqui mesmo, em 2007, sob o título "Memórias do 11 de setembro". Nada de especial na postagem, mas sim no fato histórico a que ela remete.

sábado, 12 de setembro de 2009

Saramago e a Democracia

Já que o tom do Blog tem sido mais político, segue breve trecho de um discurso de José Saramago, escritor e comunista português, sobre a Democracia - valor sagrado, inquestionável de nosso tempo. Porque "é lá no tronco que está o coringa do baralho" (em referência à postagem abaixo)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Corolários de Raul Seixas

Corolários de Raul Seixas à Parábola Marxista (da postagem abaixo):

Corolário 1:
"É como o espelho retrovisor num carro em alta velocidade, você fica olhando por aquele espelho e fica captando aquele momento, segurando aquele momento dentro do espelho retrovisor. Quando você tem aquele insight do que está projetado dentro do espelho retrovisor, já passou. Muita gente, a maioria está vivendo o momento presente através do espelho retrovisor de um carro."

Corolário 2:
"Tem gente que passa a vida inteira travando uma inútil luta com os galhos, sem saber que é lá no tronco que está o coringa do baralho"

(As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor:)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Parábola marxiana

Era uma vez um país de muitas cores. Mas apenas uma cor, o azul, era permitida pela classe dominante. Dentre os dominados, a outra classe, havia quem preferisse cores diferentes: os vermelhos de vários tons, os amarelos, os roxos e mesmo os verdes. Em comum todos estes, dominados, tinham a qualidade de gostar da diversidade de cores. Até aqueles que tinham sua cor predileta preferiam o país policromático ao monotônico azul a que todos eram forçosamente submetidos.
Rezava a Contituição que o país era uma República Democrática em que todos eram alegres. É verdade que, no fundo, era muito menos re(s)pública e democrática do que alegre. A alegria era a marca do povo, opressor e mesmo oprimido. Em parte, diziam os antropólogos, porque a constituição do povo tinha em si esse "quê" de alegria policromática. Em parte, diziam os líderes dos dominados, porque havia um mundo de conto-de-fadas divulgado pelo governo dominante e pela imprensa dominante. Quase sempre os dominados se deixavam iludir por esse faz-de-conta...
Os dominados, organizados em suas várias cores de preferência, sabiam que o funcionamento do país dependia apenas dessa classe dominada, e nunca dos dominantes. Sabiam, mais, que eles, dominados, eram muito mais numerosos e poderosos que os dominantes. E, em comum, tinham todos em seus discursos a defesa de um mundo policromático como algo muito melhor a todos, em relação ao mundo azul-dominante atual.
Mas para a surpresa do leitor - e deste escritor - mesmo concordando que o país (e o mundo) policromático seria melhor, os partidários de cada cor passavam a vida debatendo qual das suas cores era a melhor. Atacavam-se uns aos outros com freqüência. Até entre os vermelhos, eram incessante as acusações: "-Você é vermelho demais", "-Não, você que é alaranjado!". Lutavam entre si e, nestas lutas, como não poderia deixar de ser, venciam-se exatamente na mesma proporção que se perdiam. Tapados pelas palavras de ordem lançadas pelos líderes de suas próprias cores - palavras que muitas vezes repetiam sem compreender a fundo suas implicações - degladiavam-se sem perceber que este tipo de batalha fazia apenas aumentar os prejuízos da classe dominada, a que representavam.
E, enquanto isso, o país continuava sua vida, no tranqüilo, duro e mono tom de azul-dominante...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Quarto poder

É notório o papel político desregulado que a imprensa ocupa nas chamadas democracias ocidentais. O discurso mítico é tão simples quanto eficiente: assumindo uma posição (uma mentira) segundo a qual não há interesses políticos movendo os interesses da indústria midiática, entende-se que para o país ser considerado democrático é preciso haver irrestrito direito de imprensa. Os veículos de comunicação se colocam como fiscalizadores de toda a sociedade civil, mas não sofrem fiscalização própria - seja porque não há quem tenha poderes efetivos de fazê-lo, seja em função do próprio corporativismo que torna risível uma teoria de auto-fiscalização. O resultado é uma certa ditadura dos meios de comunicação, que reúnem a esta qualidade de não sofrer fiscalizações, outra: o poder de difusão de notícias, idéias, valores...
Caso emblemático da tentativa de limitar os poderes da indústria de comunicação é a Venezuela chavista. Qualquer tentativa de regulação é divulgada pela imprensa mundial como atentado à democracia. Na Folha On Line de ontem foi publicada matéria com o título "Governo da Venezuela abre processo que pode fechar última TV aberta anti-Chávez" (clique aqui para acessá-la na íntegra). Talvez não seja por acaso que a reportagem dê mais ênfase ao fato de um canal de televisão ser processado do que ao teor que originou o processo: a veiculação, em rede aberta de televisão, de mensagens que aberta e diretamente incitavam um golpe de estado e o assassinato do presidente.
Sem muito destaque na reportagem, publicada em um dos representantes do oligopólio comunicacional brasileiro, aparece a posição do governo venezuelano, da qual não consigo discordar:

"O governo venezuelano sustenta que, para democratizar, será preciso combater o 'latifúndio midiático', maneira pela qual como os porta-vozes oficiais se referem aos oligopólios dos meios de comunicação."

E não é?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Bolsas de estudo

Muitas vezes sou procurado por estudantes que perguntam sobre caminhos, possibilidades e tipos de bolsas de estudo para a graduação. Encontrei neste link (clique) um quadro sintético que apresenta as principais opções.
Para aqueles que estão procurando por bolsas para cumprir parte de sua formação fora do país, vale muito a pena pesquisar em sites de agências financiadoras do país-destino, que não raramente costumam oferecer bolsas que cobrem boa parte (ou todas...) as despesas. Exemplo destas é a DAAD, que financia interessados em estudar na Alemanha (http://rio.daad.de/). Há agências similares em muitos países europeus, e outras, com perfil assemelhado, no Japão e nos EUA, dentre outros.

sábado, 5 de setembro de 2009

Ética e moral

Uma das discussões que mais impactuam nas aulas, quando levada mais a fundo, é a respeito das distinções entre ética e moral. Embora guardem certa relação, não é difícil defender que são, cada vez mais, coisas distintas e não raramente opostas. Refiro-me a quando é preciso ser imoral para ser ético...
Passeando pelo blog dos Amigos de Copo, encontrei essa tirinha abaixo, que não deixa de ser uma provocativa reflexão sobre o tema:



(clique na imagem para ampliá-la)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A internacional

Já que falei há pouco, neste Blog, do comunismo, segue um dos muitos vídeos disponíveis com o mais famoso hino comunista, A Internacional:



A Internacional

De pé, ó vitimas da fome
De pé, famélicos da terra
Da idéia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra
Cortai o mal bem pelo fundo
De pé, de pé, não mais senhores
Se nada somos neste mundo
Sejamos tudo, ó produtores

Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional

Senhores, patrões, chefes supremos
Nada esperamos de nenhum
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum
Para não ter protestos vãos
Para sair desse antro estreito
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós diz respeito

Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional

Crime de rico a lei cobre
O Estado esmaga o oprimido
Não há direitos para o pobre
Ao rico tudo é permitido
À opressão não mais sujeitos
Somos iguais todos os seres
Não mais deveres sem direitos
Não mais direitos sem deveres

Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional

Abomináveis na grandeza
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu
Querendo que ela o restitua
O povo só quer o que é seu

Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional

Nós fomos de fumo embriagados
Paz entre nós, guerra aos senhores
Façamos greve de soldados
Somos irmãos, trabalhadores
Se a raça vil, cheia de galas
Nos quer à força canibais
Logo verás que as nossas balas
São para os nossos generais

Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional

Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo
Pertence a Terra aos produtivos
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar

Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

PCB


Costumo brincar que, dentre os muitos motivos que fazem do Brasil um país atípico, está a multiplicidade de "partidos comunistas" que existem nas terras verde-amarelas. Partidos, auto-denominados como tal, passam de meia dúzia. Muitos deles registrados na justiça eleitoral, outros não. A eles, somam-se movimentos do campo socialista, alguns dos quais direta outros apenas indiretamente defensores das idéias de Marx, Engels & Cia.
Muitos sabem que eu sou militante do PCB, o Partido Comunista Brasileiro. Dentre as várias opções de partidos e movimentos comunistas que existem aqui, minha opção pelo PCB tem principalmente dois motivos: o primeiro, fundamental, é a linha coerentemente marxista-leninista adotada pelo partido (pessoalmente entendo que o princípio leninista do "centralismo democrático" é uma condição imprescindível a uma organização que se entende por comunista); o outro, é o fato de ser a primeira das agremiações comunistas existentes no Brasil. Não tomo por fúteis as considerações de Marx no sentido de não "rachar" o movimento proletário, seja com a criação de múltiplos sindicatos de uma mesma categoria, seja com a criação de múltiplos movimentos comunistas em um mesmo país - o que só faz favorecer a burguesia.
Atualmente o PCB está em processo de realização de seu XIV Congresso. As teses, complementares, fazem: (1) uma análise do capitalismo na atualidade; (2) um balanço do socialismo nos séculos XX e XXI; e (3) apresentam a estratégia e a tática da revolução socialista no Brasil. Os documentos, polêmicos, ao mesmo tempo teoricamente ricos e controversos, podem ser acessados no site do PCB. Convido-os à leitura.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Caso de polícia

Reproduzo abaixo matéria publicada na edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo. Não deixa de surpreender. Informa, a partir de documentos oficiais, dos governos federal e estadual (do Rio Grande do Sul), sobre atos de tortura cometidos pela Polícia Militar gaúcha contra crianças em um acampamento do MST.
A partir dos relatos do próprio governo, se imagina: policiais com os rostos cobertos, segurando os cães que ladravam sobre as crianças amontoadas, enquanto outros membros da corporação aplicavam choques elétricos nas mesmas crianças.
Nesta mesma ação policial, um trabalhador sem terra morreu com um tiro... pelas costas! (veja aqui outras informações, no site do MST).
Não serei leviano ao dizer que esse é um mal de toda a corporação policial. Não seria justo com os bravos bons soldados. Mas não tenho elementos para crer que esse tipo de procedimento seja absoluta exceção. Parece que nossa polícia, muitas vezes, sente-se possuidora da autoridade autoritária dos tempos de ditadura. Precisam perceber que isso acabou por aqui...
Segue abaixo a reportagem original:


POLÍCIA TORTUROU CRIANÇAS, DIZ GOVERNO

Depoimentos apontam uso de cães contra filhos de membros do MST em ação que deixou um sem-terra morto

Brigada Militar e Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul dizem que só vão se manifestar quando tiverem acesso ao relatório


EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

GRACILIANO ROCHA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
(Folha de São Paulo)


A Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência vai denunciar a tortura de crianças e o uso de armas de choque elétrico na ação de policiais militares do Rio Grande do Sul que resultou na morte de um sem-terra, no mês passado.
Identificada por meio de depoimentos colhidos na semana passada em São Gabriel, a citada tortura física e psicológica de crianças inclui xingamentos, uso ostensivo de cachorros e da cavalaria e ferimentos por meio de estilhaços de bombas lançadas pelos brigadistas -um bebê foi atingido no rosto.
Um relatório com esses termos será encaminhado nesta semana para Ministério Público Federal e Estadual, Comissão de Direitos Humanos da Câmara e da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Ministério da Justiça e Corregedoria Geral da Brigada Militar.
A ação policial ocorreu durante a reintegração de posse da fazenda Southall. O sem-terra Elton Brum da Silva foi morto com um tiro nas costas. O autor do disparo, soldado da brigada cujo nome não foi revelado, foi afastado de suas funções.
Outras 13 pessoas ficaram feridas na ação de despejo de 550 integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Cerca de 300 policiais estavam na operação.
A Folha teve acesso a um ofício preliminar enviado pela Secretaria dos Direitos Humanos no final da semana passada ao corregedor-geral da Brigada Militar, coronel Paulo Porto.
No documento, a secretaria cita "emprego desproporcional e inadequado da força policial letal" e afirma que a brigada está "aparentemente preparada de modo insuficiente para lidar com situações que envolvam o controle de distúrbios civis".
"A rigorosa apuração da morte (...), para além de garantir justiça neste caso concreto gravíssimo de violação dos direitos humanos, poderá contribuir para o aperfeiçoamento da Brigada Militar, adequando-a a parâmetros mínimos de polícia democrática", afirma o ofício do governo federal, assinado por Ailson Silveira Machado, da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.
O MST realizou ontem ato para cobrar que o governo gaúcho esclareça as circunstâncias da morte de Silva. O MST também quer que seja apresentado o policial autor do disparo. Na semana passada, as autoridades de segurança do Rio Grande do Sul anunciaram que o atirador já havia sido identificado, mas não divulgaram seu nome.
"A polícia tem o papel de tornar isso público, não pode esconder o assassino", disse Nina Tonin, da coordenação estadual do MST. Segundo a dirigente, a investigação "caminha para a impunidade".

Outro lado
A Secretaria da Segurança Pública voltou a defender o sigilo em torno da investigação até a conclusão dos inquéritos. A assessoria da secretaria afirmou que não comentaria as alegações de tortura porque não recebeu o relatório.
A assessoria de imprensa da Brigada Militar informou que somente se manifestará quando tiver acesso ao relatório.

Páginas de Filosofia


Já faz alguns bons dias que não posto nada no blog... muito trabalho pra pouco tempo (na verdade, o tempo é o mesmo, o problema está apenas no "muito trabalho").

Mas não poderia deixar de divulgar aqui a revista Páginas de Filosofia, editada pelo Curso de Filosofia da Universidade Metodista de S. Paulo. O conteúdo está totalmente disponível on line, clicando aqui.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Só por perguntar

Há coisas irrelevantes, que às vezes pergunto não para obter uma resposta... só por perguntar.
Hoje, ao abrir minha caixa de e-mails, encontreis cerca de 20 mensagens oferecendo fórmulas certeiras para ganhar nas loterias.
Aí, só por perguntar: por que alguém que tem essas fórmulas, certeiras, se preocuparia em vendê-las para ganhar dinheiro? Não seria menos trabalhoso aplicá-las, ganhar os prêmios das loterias, em lugar de trabalhar enviando e-mails para vender esse produto???

Vai entender...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Medo da gripe

Recebi por e-mail essa foto-piada de uma aluna, Joan.
Não deixa de ser oportunidade de refletir sobre as nossas "paranóias coletivas".


sábado, 25 de julho de 2009

A exceção e a regra

Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso.
Mas não se esqueçam
de que o abuso é sempre a regra.


(poesia de Bertolt Brecht)



Conheça mais clicando aqui.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O cara do Obama

Reproduzo abaixo artigo escrito por Ivan Pinheiro, secretário geral do Partido Comunista Brasileiro - PCB. É o tipo de coisa que já não causa espanto...

LULA DEFENDE SARNEY E ABRAÇA COLLOR:
Por Ivan Pinheiro

O vale tudo para a eleição de Dilma!

Não costumo me entusiasmar com campanhas contra a corrupção, quando personalizadas exclusivamente em algum corrupto específico. Passa sempre a ilusão de que, uma vez derrubado o personagem, a ética volta a imperar na política e nas instituições burguesas. A corrupção é sistêmica no capitalismo; é inerente a ele. A queda de um corrupto não acaba com ela.
Com a vitória do "Fora Renan", veio o "Fora Sarney". Também não adianta levantar o "Fora Senado", pois ainda restará a Câmara dos Deputados, aquela do "mensalão", presidida pelo indefectível Michel Temer, com aquele ar de mordomo de filme de terror.

A esquerda já devia ter aprendido que não pode fazer da luta contra a corrupção a sua bandeira principal, ainda mais dissociada da luta contra o capital. A não ser por oportunismo, para angariar votos na próxima eleição. Como ajudamos a despolitizar o "Fora Collor", deixando de denunciar seu governo como neoliberal! O seu impedimento resultou em Itamar Franco, que logo iniciou o processo de privatização e de flexibilização de direitos trabalhistas.

No caso do "Fora Sarney", entretanto, a campanha pode ter um bom resultado político e até mesmo ideológico, se conseguirmos associá-la à denúncia da farsa da democracia burguesa e do caráter corrupto do capitalismo. Ninguém melhor do que Sarney para simbolizar a corrupção, entendida em todos os seus variados tipos e aspectos; ele é a cara do Estado brasileiro.

Não tenho também ilusão de convencer lulistas que ainda se dizem "de esquerda" (hoje há também os de direita e de centro), depois de quase seis anos de um governo cujo eixo é o "espetáculo do crescimento", o destravamento do capitalismo, custe o que custar em questões sociais ou ambientais.

Podem anotar: a disputa em 2010 vai ser em torno de números macroeconômicos, ou seja, quem foi melhor para o capital: FHC ou Lula? Como foi a entrada de capital estrangeiro? E o ?Risco Brasil?? Quem gerou mais e piores empregos? Quem ajudou mais o capital?

Lula realmente é "o cara", um ex-sindicalista terceirizado pela burguesia. Ninguém com mais autoridade para iludir os trabalhadores. É hoje o principal garoto propaganda mundial do "capitalismo do bem"; é o contraponto ao socialismo e à luta de classes, o animador de todos os shows midiáticos das cúpulas internacionais. Distribui sorrisos e camisas da seleção brasileira; acha chique o Brasil emprestar ao FMI.

Suas viagens internacionais são fundamentalmente para criar "janelas de oportunidade" para as multinacionais de origem brasileira surfarem na crise e, de quebra, reforçar uma imagem que lhe capacite a ocupar importantes papéis no cenário mundial, nos quatro anos em que estará fora da Presidência. Quem sabe uma importante função no Banco Mundial ou na ONU?

Mas, com tudo isso, ainda causa desconforto ver a foto de Lula abraçado com Collor em Alagoas, fazendo "justiça" pública a este e a Renan, seus candidatos, naquele Estado, às eleições de 2010, o primeiro a Governador e o segundo a Senador!

Esta fotografia marca o início do mergulho ao fundo do poço. A partir de agora, não estranhemos mais nada. O governo Lula é, cada vez mais, refém da governabilidade institucional burguesa e da corrupção que lhe é inerente. Foi seqüestrado politicamente pelo PMDB e pelo que há de pior entre os caciques políticos brasileiros: Sarney, Renan, Collor, Jader Barbalho, Gedel Vieira Lima, Michel Temer.

Se necessário, Lula vai humilhar mais o PT. Chegou ao ponto de exigir que o partido defenda Sarney a qualquer custo e que não lance candidatos a governador, para entregar os Estados a oligarcas aliados. É capaz de pagar qualquer preço para o resgate do seqüestro: a eleição de Dilma como sucessora.

Mas é preciso ficar claro que essa obsessão não é ditada pela preocupação da continuidade de um projeto de governo. Lula sabe que com Dilma, Serra ou Aécio este projeto continua. É o projeto do Estado burguês brasileiro. O que pode mudar apenas são as boquinhas e o estilo.

Lula resolveu escolher como candidata um "poste político", sem densidade eleitoral, exatamente para que tenha que comer pela sua mão, de forma a garantir seus verdadeiros projetos: o domínio da máquina estatal, a não apuração de atos de seu governo, um protagonismo internacional e, sobretudo, a volta triunfal para mais oito anos, em 2014, para delírio dos lulistas de todos os matizes.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A mentira democrática

Estamos acompanhando o que a grande mídia divulga (portanto, não tudo...) sobre o recente golpe de estado em Honduras. Em síntese: um presidente eleito foi deposto, sobretudo, por tentar alterar a Constituição do país por meio de uma consulta popular, um plebiscito, dando-lhe oportunidade de voltar a concorrer à Presidência da República futuramente. Segundo a Constituição atual, um presidente não pode se candidatar à reeleição e nem tentar uma nova eleição em qualquer momento futuro.
"Síndrome de Hugo Chaves", assim eu chamaria o motivo do golpe, sob essa perspectiva. Explico: Chaves foi o primeiro presidente no passado recente da América Latina a levar publicamente adiante críticas ao caráter democrático do poder legislativo. Passou a levar questões mais relevantes diretamente à consulta popular, e não ao parlamento. Com isso, conseguiu, dentre outras coisas, ampliar seu mandato presidencial, aprovar a possibilidade de reeleições e conseguiu também mudar sensivelmente as regras que regem o poder legislativo venezuelano, tornando-o mais claro, simples e transparente. (Não vou discutir aqui a atual "crise bienal do senado brasileiro", que uma vez mais pede por medidas de inspiração chavista...).
A desgraça de seus opositores reside no fato de Chaves não ter desconsiderado os preceitos democráticos ao longo de todo esse processo: ele convocou plebiscitos para alterar a legislação, tal como a legislação pedia. Alterou. Pode, agora, legalmente, ficar por longos períodos a frente do comando da nação. Caberá ao povo decidir quanto, nos processos eleitorais que continuam sendo regulares. Ainda assim, é comum o esforço da mídia por torná-lo um aparente ditador... fiel às leis democráticas.
Depois, vimos Morales seguir por caminhos parecidos. O medo da democracia foi tão grande que a direita hondurenha deu um golpe de estado - para evitar os efeitos indesejáveis, ainda que democráticos. (isso me faz lembrar o "Ensaio sobre a Lucidez", de Saramago).
Mas não posso deixar de observar os "vários-pesos-e-várias-medidas" na política internacional. Porque não chamam de antidemocrático um Putin, russo, que à luz dos órgãos fiscalizadores internacionais fraudou todas as últimas eleições nacionais? Há quanto tempo ele está ininterruptamente no poder? E o que ele tem de diferente de Chaves ou de Morales, já que ele não é regularmente acusado de ditador ou de antidemocrático?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Tomar vinho com Sócrates?

O Teatro Oficina, com o destacado José Celso, estreará hoje sua nova peça: O Banquete, inspirado no texto de Platão. A característica do diretor, polêmica, inovadora, questionadora - um quê de filosófica - faz gerar boas expectativas.
Ao melhor estilo Zé Celso, o ingresso dará direito aos comes d'O Banquete. O vinho, também disponível, tem custo a parte (afinal nosso mundo não é a aristocrata e antiga Grécia...)

As informações estão disponíveis no site do grupo: www.teatroficina.com.br

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Polícia na Universidade

A presença da polícia armada no interior do campus da Universidade de São Paulo é fato que não pode passar despercebido. Menos pela violência física (há muito mais violência em lugares menos visitados pela elite e pelos veículos de comunicação...), penso eu, mas muito mais pela violência simbólica. Até o presente, no Brasil, nunca foi necessária a força armada, policial, para mediar relações no interior das universidades. O próprio sentido de "autonomia universitária", garantido pela legislação federal, respeita este espírito dialogal e pacífico (mesmo quando conflituoso), forjado desde antes da Constituição Federal. Quando a polícia invadiu universidades, foi sem necessidade, por truculenta imposição de gestores incapazes ou mal intencionados, tal como durante a ditadura militar.
A presença da polícia armada, solicitada pela atual reitora da USP, atesta, no mínimo, sua incompetência.

Ainda sobre esse assunto, reproduzo matéria que recebi por e-mail. Não me foi informada a fonte original:


Chauí, Cândido e Benevides criticam reitoria e violência policial

Delegado Protógenes comparece a ato e diz que polícia deve combater crime, não manifestantes; Passeata contra repressão militar acontece nesta quinta-feira, 18

Por Lúcia Rodrigues


Os professores Antonio Cândido, Marilena Chauí e Maria Vitória Benevides criticaram o uso da força policial contra a comunidade acadêmica. Eles também não pouparam criticas à reitoria da universidade. O ato que reuniu os docentes foi organizado pela Adusp (Associação dos Docentes da USP).

O evento lotou o anfiteatro da Geografia. Um telão teve de ser instalado no saguão do prédio, para que o público que não conseguiu entrar no auditório pudesse acompanhar a intervenção dos intelectuais. O prédio da Geografia, onde ocorreu o ato, foi bombardeado pela PM, no último dia 09.

“Em uma única gestão a reitoria trouxe a polícia duas vezes para dentro do campus”, ressalta indignada a filosofa. Para Marilena, o poder excessivo concentrado nas mãos da reitoria precisa ser desestruturado. “A repressão se tornou ‘natural’ porque não temos mais fóruns de discussão. A única resposta (da reitora) é a resposta repressiva”, frisa.

A filosofa também criticou a Univesp (o ensino à distância, que o governo do Estado quer implantar nas três universidades estaduais paulistas), mas destacou que não se trata apenas de um projeto estadual. O Ministério da Educação também defende a idéia.

Atentado

A invasão da PM ao campus é classificada pelo professor aposentado de Teoria Literária Antonio Cândido, como “um atentado contra os direitos mais sagrados de agir e discutir”. Ele conta que foi ao ato organizado pela Adusp, para externar sua indignação contra a presença da PM no campus e a violência por ela praticada. “Estou aqui para protestar contra isso”, afirma.

A professora da Faculdade de Educação Maria Vitória Benevides destaca que a violência só ocorre quando se fecham os canais de diálogo. “Fora da política, só existe uma alternativa, que é a da violência.”

Maria Vitória também criticou duramente a postura da reitoria em relação à Univesp. “A Faculdade de Educação tem manifestado criticas fortes e sólidas contra a educação à distância. Isso deveria ser um sinal para os dirigentes da universidade, mas, infelizmente, não é.”

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz também criticou a violência policial praticada no campus. “As forças policiais devem combater o crime, principalmente o de corrupção, não manifestantes.” Ele revelou à reportagem de Caros Amigos que participou do movimento estudantil quando era universitário. “Fui delegado ao congresso da UNE em 1980. Ajudei a eleger o Aldo Rebelo (atual deputado federal do PC do B).”

Passeata

Representantes do Fórum das Seis, entidade que representa docentes, funcionários e estudantes da USP, Unicamp e Unesp, se reuniram, no final desta manhã, com os reitores das três universidades. Os dirigentes exigiram a saída imediata da PM do campus para a reabertura das negociações.

Segundo o coordenador do Fórum das Seis, professor João Chaves, a entidade também reivindicou que o Cruesp redija um comunicado reconhecendo o direito de greve dos manifestantes. “Os piquetes são para proteger os funcionários que ficam fragilizados diante de chefias repressoras”, destaca.

A reitora Suely Vilela não se manifestou sobre o assunto. Em nota o Cruesp não se manifestou sobre a retirada da PM do campus. O texto informa que está agendada uma reunião para o próximo dia 22.

Na quinta-feira, 18, o Fórum organiza manifestação no Masp (Museu e Arte de São Paulo) às 12h. Os manifestantes seguem em passeata até o Largo São Francisco, onde realizam ato público para denunciar a violência policial.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Filosofia e política no mundo antigo

Parte das aulas de Ética que ministrei neste semestre que se encerra, envolveram o mundo antigo. Ainda que tenha me concentrado na ética aristotélica, pelos menos duas relações são imprescindíveis: uma, entre Aristóteles e seu mestre, Platão. Outra entre a ética e a política.
Recentemente o prof. Dr. Gabriele Cornelli, amigo há alguns anos, publicou um texto interessante que aborda a questão, especialmente centrada em Platão. Seguem os dados e, mais abaixo, o link para o texto completo:

Título: A paixão política de Platão: sobre cercas filosóficas e sua permeabilidade.
Resumo: O presente artigo se propõe abordar a questão da relação entre a filosofia e a política, partindo do debate intelectual sobre ética e política do V-IV século em Atenas. Debate, este, que acontece na esteira do surgimento de uma nova individualidade, marcada pela descoberta da tragicidade alma. Destaca-se no interior deste debate a redefinição de uma postura filopolítica, em toda sua ambigüidade histórica e idealidade ética. Aristófanes, Tucídides, Eurípides, Górgias e, obviamente, o próprio Platão estão empenhados na definição da possibilidade (ou menos) de encontro entre filosofia e cidade, público e privado, justiça e interesses, indivíduo e comunidade. A solução platônica para o problema revela complexidade e articulação típicas de seu pensamento: o filósofo que se repara da tempestade atrás de uma cerca acadêmica (Resp. 496d) é o mesmo que, “para não parecer somente palavra a ele mesmo” (VII Epist. 328c) zarpa em direção ao
incerto projeto siracusano.


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