quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Quarto poder

É notório o papel político desregulado que a imprensa ocupa nas chamadas democracias ocidentais. O discurso mítico é tão simples quanto eficiente: assumindo uma posição (uma mentira) segundo a qual não há interesses políticos movendo os interesses da indústria midiática, entende-se que para o país ser considerado democrático é preciso haver irrestrito direito de imprensa. Os veículos de comunicação se colocam como fiscalizadores de toda a sociedade civil, mas não sofrem fiscalização própria - seja porque não há quem tenha poderes efetivos de fazê-lo, seja em função do próprio corporativismo que torna risível uma teoria de auto-fiscalização. O resultado é uma certa ditadura dos meios de comunicação, que reúnem a esta qualidade de não sofrer fiscalizações, outra: o poder de difusão de notícias, idéias, valores...
Caso emblemático da tentativa de limitar os poderes da indústria de comunicação é a Venezuela chavista. Qualquer tentativa de regulação é divulgada pela imprensa mundial como atentado à democracia. Na Folha On Line de ontem foi publicada matéria com o título "Governo da Venezuela abre processo que pode fechar última TV aberta anti-Chávez" (clique aqui para acessá-la na íntegra). Talvez não seja por acaso que a reportagem dê mais ênfase ao fato de um canal de televisão ser processado do que ao teor que originou o processo: a veiculação, em rede aberta de televisão, de mensagens que aberta e diretamente incitavam um golpe de estado e o assassinato do presidente.
Sem muito destaque na reportagem, publicada em um dos representantes do oligopólio comunicacional brasileiro, aparece a posição do governo venezuelano, da qual não consigo discordar:

"O governo venezuelano sustenta que, para democratizar, será preciso combater o 'latifúndio midiático', maneira pela qual como os porta-vozes oficiais se referem aos oligopólios dos meios de comunicação."

E não é?

Um comentário:

JHU disse...

Concordo com liberdade de expressão. Mas o que presencio não é bem isto. O que acho mais perverso é que os veículos de comunicação manipulam a notícia de acordo com interesses escusos. Utilizam palavras de efeito distorcendo, inferindo nos fatos e invertendo posições, o que na maioria não contribui nem esclarece, somente confunde e desvia a atenção do verdadeiro alvo. O leitor, ouvinte ou telespectador nem sempre tem consciência e discernimento para separar o joio do trigo. É proposital o uso de expressões difíceis ao entendimento da grande maioria. O que necessitamos é de uma mídia fiel a verdade esta é sua função.