sábado, 4 de outubro de 2008

Eleição e revolução

Estou atualmente ministrando um curso livre em que apresento uma leitura possível de conceitos-chave do pensamento marxista. Nesta semana, nas leituras deste curso, comentamos a "violência como parteira da história". É sempre curiosa a reação dos interlocutores quando lemos, em Marx, uma certa exaltação da violência - que eu, honestamente, entendo como simples tratamento explícito de algo invariavelmente presente, seja na manutenção ou na revolução social. Claro, vivemos em tempos de uma "cultura da paz", sem nos lembrar que como parte de "manter a paz", temos que "manter a ordem" e assim o status quo.

Em período eleitoral essa reflexão, sobre a violência necessária à transformação social, é especialmente interessante. Vemos pessoas momentaneamente envolvidas com política, esperançosas que um ou outro candidato, se e quando eleito, transformará a realidade. Vemos manifestações políticas, muitas vezes desastradas porque praticadas por inexperientes desorientados ou ingênuos politicamente, vindas das partes mais improváveis. Há quem não tenha feito política, pelo menos, nos últimos quatro anos, e agora, às vésperas das eleições, assume posturas, panfleta idéias, ainda que de forma desajeitada...
A crença, consciente ou não, no processo eleitoral talvez seja atualmente o maior ópio do povo. Não se faz revolução com, na ou pela eleição. Infelizmente.

2 comentários:

Hugo Allan Matos disse...

Esse seu modo de ver, se entendi bem, propõe não ser possível fazer revolução através do poder instituído, correto? Pode citar outras formas possíveis?

Estou em mais uma crise existencial-filosófica, desta vez, por causa desse paradoxo (se é que ele existe).

Pois, a meu ver, ainda que para uma conquista do poder, impondo outra forma de organização social (tomada do poder), é necessária a aceitação e engajamento da maior ou grande parte dos envolvidos, certo (poi não é possível que meia dúzia de pessoas consigam conquistar o poder de qualquer instituição e mantenham-se nele)?

Assim, quando a maior ou grande parte de pessoas, conquistam o poder, não o fazem porque instituiram este (outro) poder enquanto autêntico?

Valeu, Abraço. Hugo

Hugo Allan Matos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.