quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Resquício militar

Esta semana começaram as aulas na Universidade em que trabalho. A cada novo semestre chama a atenção a manutenção do mesmo modelo arcaico de "trote". Caras e roupas pintadas, cabelos molhados, lambuzados ou cortados, numa palavra, demonstração de poder e controle dos "veteranos" sobre os "calouros". Esse controle se conclui, no geral, com os calouros sujeitando-se a pedir trocados nos faróis, financiando a bebedeira de todos.
Talvez muitos não saibam, mas o trote, no Brasil, teve origem nas academias militares pelos idos dos 1800. Os veteranos prendiam (literalmente, amarravam) e torturavam os calouros. Forma que aqueles que não têm poder encontram para demonstrar que, uma vez no ano, são poderosos (Paulo Freire já dissera que o oprimido hospeda em si o opressor). A primeira morte que se tem notícia aconteceu por volta dos 1830. As mais recentes circularam amplamente na mídia. Nesta semana, um estudante do interior de São Paulo chegou a ser chicoteado como parte deste "ritual"(?!).
Filosoficamente falando: não é de se admirar?

3 comentários:

Valdemir disse...

Não nos esqueçamos do japonês "calouro" de Medicina que morreu na piscina da USP.

Abs

Alzani,Valdemir
"calouro" Filosofia Noturno

Marco Rodriguéz disse...

Esta é a verdadeira aminésia histórica!
Se soubessem, não fariam isso, ou fariam?

Daniel Pansarelli disse...

Pior, Marco, é que penso que muitos fariam...