terça-feira, 16 de outubro de 2007

O salário do professor e a qualidade do ensino

Um novo debate começou ontem a ser travado nas páginas do jornal Folha de São Paulo. A matéria principal da capa do jornal foi "Professor do Acre ganha mais que o de São Paulo" (matéria na íntegradisponível para assinates do jornal ou do UOL).
No rodapé da capa da edição de hoje, consta a resposta da Secretária Estadual da Educação de SP, Maria Helena Guimarães Castro, sob o título "Salário não melhora o ensino, diz secretária" (matéria na íntegradisponível para assinates do jornal ou do UOL).
Tive a oportunidade de conhecer os 2 sistemas estaduais de ensino - do Acre e de São Paulo - e não tenho dúvidas sobre a superioridade do acreano. Os salários são apenas uma parte desta superioridade. A argumentação da secretária de SP é uma meia-verdade: concordo que o salário por si só não melhora qualidade, mas no caso acreano o salário relativamente alto deve ser tomado como indício de uma política de valorização do ensino público, e neste sentido nossos colegas do norte do país estão décadas à nossa frente.
O Estado do Acre enfrenta um sem-número de dificuldades que não temos, em São Paulo, que superar. Estive lá em 2004, ministrando um curso de capacitação para professores de Filosofia e de Sociologia, que atuam na rede pública de ensino. Lá estas disciplinas já eram obrigatórias - aqui, o Conselho Estadual de Educação insiste numa natimorta tentativa de contrariar o Conselho Nacional de Educação, tentando não incluir tais disciplinas no currículo do Ensino Médio. Mas lá, em todo o estado, não havia (e creio que ainda não haja) um único curso de graduação nestas áreas; ou seja, o Estado assumiu a inclusão destas disciplinas mesmo não tendo faculdades para formar os professores nestas áreas. Para responder ao desafio, contratou professores para ministrar cursos intensivos de formação em Filosofia e em Sociologia para professores formados em outras áreas do conhecimento.
Já naquela época eu fui seduzido pelo salário pago na rede pública acreana de ensino, semelhante aos salários praticados em algumas faculdades paulistas.
O fato é que no Acre assumiu-se a educação pública como um princípio de cidadania, e em São Paulo ela não passa de plataforma eleitoral, com propsotas mirabolantes que vão dos CÉUs aos infernos, das duas professoras em sala de aula à intocabilidade do fracassado modelo de aprovação automática vigente.
Penso estarmos diante da exigência de uma "pausa" na natural arrogância paulista, para aprendermos essa lição com nossos colegas do Acre.

Um comentário:

Henrique disse...

Opa, blz companheiro?! cara, eu sou do RS, aqui tbem nós temos problemas na educação, com o "novo geito de governar" do psdb...estão querendo por 50 alunos por turma, sabe, "aumentar a produtividade", rsrsrs
Parabéns pelo blog!
abraço!