Ontem aconteceu algo especialmente relevante no cenário político nacional. Nosso órgão máximo do judiciário reconheceu o direito dos homossexuais constituírem família - o que já se verificava na prática passa a ser, agora, direito. A coisa foi tão séria que tomou toda a metade superior da capa da Folha de S. Paulo de hoje (veja aqui).
Para além da conquista dos homossexuais, a relevância da decisão encontra-se no que está por trás do tema (sem maldades): uma decisão radicalmente contrária aos interesses das igrejas em geral e da católica em particular. A CNBB enviou um representante para que defendesse o não reconhecimento do direito dos homossexuais. Os evangélicos tiveram o mesmo direito, mas não o exerceram. O Supremo decidiu a favor dos interessados e contra a indústria da fé.
Não é coisa pouca. Lembremos que há poucos anos Lula fazia um acordo com o Vaticano que deixou muitos de cabelos em pé. E que na véspera das eleições presidenciais de 2010 os três candidatos mais votados afirmaram não apoiar o direito de aborto, cedendo a pressão católica/cistã. Duas candidatas eram mulheres.
Ontem o judiciário mostrou algo que nem o executivo, muito menos o legislativo, têm se disposto a fazer. O Brasil é laico. Ou deveria ser.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Encontro Internacional
Está on line o site do V Encontro Nacional e III Encontro Internacional do GT Ética e Cidadania da ANPOF, que terá como tema geral Filosofia em América Latina: suas potencialidades e desafios.
O encontro ocorrerá nos dias 16, 17 e 18 de novembro de 2011, no Campus S. Bernardo da UFABC. A programação completa será divulgada em breve.
As inscrições para participantes - com apresentação de trabalhos ou não - já estão disponíveis.
O endereço do site é www.eticaecidadania.org.
O encontro ocorrerá nos dias 16, 17 e 18 de novembro de 2011, no Campus S. Bernardo da UFABC. A programação completa será divulgada em breve.
As inscrições para participantes - com apresentação de trabalhos ou não - já estão disponíveis.
O endereço do site é www.eticaecidadania.org.
domingo, 1 de maio de 2011
Depois de 1984
O famoso livro do Orwell, escrito em 1948, supunha que em 1984 viveríamos em uma sociedade do controle total. Câmeras espalhadas por todos os lados, inclusive dentro de casa. A televisão que não poderia ser desligada, transmitindo sempre as informações convenientes ao controlador da sociedade. E ela, a televisão, não apenas transmitia: também "assistia" o que se passava nas residências. Ainda, a polícia do pensamento, capaz de saber o que se passa na sua cabeça... isso tudo oferecendo instrumentos de controle ao Irmão mais velho, ou Big Brother, aquele que cuida dos caçulas - todos na sociedade.
A realidade não é bem essa. Ainda.
Mas também não é bem outra.
Elas estão de olho em você é o nome de matéria publicada hoje no Diário do Grande ABC, informando que na região já existe, em média, 1 câmera de monitoramento para cada 16 habitantes. E a tendência é aumentar.
A matéria está disponível aqui.
A realidade não é bem essa. Ainda.
Mas também não é bem outra.
Elas estão de olho em você é o nome de matéria publicada hoje no Diário do Grande ABC, informando que na região já existe, em média, 1 câmera de monitoramento para cada 16 habitantes. E a tendência é aumentar.
A matéria está disponível aqui.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Palpite de moral no Senado
O Roberto Gomes, sobre quem escrevi há pouco tempo aqui no blog, fala do jeito piadístico do brasileiro como uma de suas características. Ele vê nisso uma qualidade, não um defeito: somos bem humorados, esse é um elemento mais ou menos comum aos brasileiros. Aliás, ele diz que falta humor ao nosso fazer filosófico. Essa nossa qualidade deveria transpassar nossa filosofia, qualificando-a.
O humor, em diversas das suas vertentes, é presente na história da filosofia há muito. Recursos como a sátira, a ironia, o sarcasmo e o non-sense são usados e muitas vezes recomendados pelos filósofos. Schopenhauer, por exemplo, sugere em seu Estratagema 36 publicado postumamente n'A arte de ter razão: "Assustar e desconcertar o adverário com um palavreado sem sentido" (grifo meu). Outros muitos exemplos poderiam figurar no lugar ou ao lado deste.
Mas, penso eu, às vezes o humor não é opção. Há momentos em que ele parece se configurar como a única alternativa para manter-se vivo - ou, melhor, para manter-se são em terra de insanos. Há coisas que não dá pra levar a sério: se não, talvez, somaríamos nas fileiras dos homens e mulheres-bombas.
Meu motivo: O Senado Federal, casa maior (seja lá o que isso signifique !?) da República, estava há dois anos sem um Conselho de Ética. Apesar do órgão ser institucional no/do Senado, e o único capaz de investigar os senadores antes da existência de alguma denúncia formal, há dois anos ele estava sem as nomeações de seus integrantes, o que o fez, simplesmente, não funcionar.
Ontem, finalmente, os integrantes foram indicados pelos partidos. E a surpresa: Dentre os 15 senadores que fiscalizarão "eticamente" seus colegas, estão o Gim Arrgello e o Renan Calheiros. O primeiro, acusado de organizar o mensalão do PTB, chamado pela revista Veja como a fábrica de dinheiro do seu partido (veja mais aqui e aqui). Sobre o Calheiros, tive oportunidade de escrever neste blog (direta ou indiretamente relacionadas, estão as postagens de 12/2007, 12/2009 e 02/2011).
Daí o humor como estratégia de sanidade. Ou, ao menos, de sub-vivência.
Melhor entender que no lugar do Conselho, o Senado montou uma espécie de Palpite. Menos que um Conselho de Ética, talvez seja, no limite, um Palpite de moral vigente.
A relação completa dos palpiteiros está no site do Senado Federal (aprecie [se puder], mas com moderação).
O humor, em diversas das suas vertentes, é presente na história da filosofia há muito. Recursos como a sátira, a ironia, o sarcasmo e o non-sense são usados e muitas vezes recomendados pelos filósofos. Schopenhauer, por exemplo, sugere em seu Estratagema 36 publicado postumamente n'A arte de ter razão: "Assustar e desconcertar o adverário com um palavreado sem sentido" (grifo meu). Outros muitos exemplos poderiam figurar no lugar ou ao lado deste.
Mas, penso eu, às vezes o humor não é opção. Há momentos em que ele parece se configurar como a única alternativa para manter-se vivo - ou, melhor, para manter-se são em terra de insanos. Há coisas que não dá pra levar a sério: se não, talvez, somaríamos nas fileiras dos homens e mulheres-bombas.
Meu motivo: O Senado Federal, casa maior (seja lá o que isso signifique !?) da República, estava há dois anos sem um Conselho de Ética. Apesar do órgão ser institucional no/do Senado, e o único capaz de investigar os senadores antes da existência de alguma denúncia formal, há dois anos ele estava sem as nomeações de seus integrantes, o que o fez, simplesmente, não funcionar.
Ontem, finalmente, os integrantes foram indicados pelos partidos. E a surpresa: Dentre os 15 senadores que fiscalizarão "eticamente" seus colegas, estão o Gim Arrgello e o Renan Calheiros. O primeiro, acusado de organizar o mensalão do PTB, chamado pela revista Veja como a fábrica de dinheiro do seu partido (veja mais aqui e aqui). Sobre o Calheiros, tive oportunidade de escrever neste blog (direta ou indiretamente relacionadas, estão as postagens de 12/2007, 12/2009 e 02/2011).
Daí o humor como estratégia de sanidade. Ou, ao menos, de sub-vivência.
Melhor entender que no lugar do Conselho, o Senado montou uma espécie de Palpite. Menos que um Conselho de Ética, talvez seja, no limite, um Palpite de moral vigente.
A relação completa dos palpiteiros está no site do Senado Federal (aprecie [se puder], mas com moderação).
domingo, 24 de abril de 2011
O PIB e a Plebe
Reuniu-se neste final de semana, na Bahia, um fórum de empresários do Brasil. Setecentos participantes que, segundo os organizadores, concentram 46% do PIB nacional.
Os dados preliminares indicam que em 2010 o PIB brasileiro foi de três trilhões, seiscentos e setenta e cinco bilhões de reais, que grafados numericamente seriam R$3.675.000.000,00. A divisão simples de 46% deste valor pelo número de abençoados presentes no evento (700) leva à constatação que, na média, cada um deles obteve R$2.415.000,00 (ou: dois milhões, quatrocentos e quinze mil reais) apenas no ano passado.
No período (2010), o salário mínimo era de R$510,00.
Lendo sobre o encontro, procurando os dados sobre o PIB e fazendo as contas, lembrei da Plebe Rude e sua Até quando esperar?:
A propósito: ao afirmar o percentual do PIB que estaria reunido, parece que os organizadores do fórum de empresários sentiram orgulho, não vergonha...
Em tempo: o clipe original da música está disponível aqui.
Os dados preliminares indicam que em 2010 o PIB brasileiro foi de três trilhões, seiscentos e setenta e cinco bilhões de reais, que grafados numericamente seriam R$3.675.000.000,00. A divisão simples de 46% deste valor pelo número de abençoados presentes no evento (700) leva à constatação que, na média, cada um deles obteve R$2.415.000,00 (ou: dois milhões, quatrocentos e quinze mil reais) apenas no ano passado.
No período (2010), o salário mínimo era de R$510,00.
Lendo sobre o encontro, procurando os dados sobre o PIB e fazendo as contas, lembrei da Plebe Rude e sua Até quando esperar?:
A propósito: ao afirmar o percentual do PIB que estaria reunido, parece que os organizadores do fórum de empresários sentiram orgulho, não vergonha...
Em tempo: o clipe original da música está disponível aqui.
sábado, 23 de abril de 2011
Sem-chocolate
Por que não vai ter chocolate?
Por que teria?
1 - Não conheço ninguém que morreu na sexta e ressuscitou no domingo. Nem este ano, nem em anteriores.
1.1 - Nem em outros dias, aliás.
2 - Se conhecesse, desconfiaria.
3 - Se, depois de desconfiar, me convencesse que de fato ocorreu, não comemoraria. Lamentaria (a morte; ou a volta à vida... quem sabe?)
4 - Se fosse para comemorar, não o faria com chocolate.
5 - Se fosse com chocolate, não seria em formato de ovo.
5.1 - Porque o formato é pouco prático, além de esquisito.
5.2 - Porque se [imagine:] um coelho parisse um ovo de chocolate:
5.2.1 - Eu jamais colocaria aquele troço nojento na boca.
5.2.2 - Aliás, não seria coelho. Seria coelha.
5.2.3 - De qualquer modo: ia ser mais fácil alguém morrer na sexta e ressuscitar no domingo que um coelho [ou uma coelha] botar um ovo de chocolate.
Ainda assim: boas compras, aos que costumam comemorar.
Por que teria?
1 - Não conheço ninguém que morreu na sexta e ressuscitou no domingo. Nem este ano, nem em anteriores.
1.1 - Nem em outros dias, aliás.
2 - Se conhecesse, desconfiaria.
3 - Se, depois de desconfiar, me convencesse que de fato ocorreu, não comemoraria. Lamentaria (a morte; ou a volta à vida... quem sabe?)
4 - Se fosse para comemorar, não o faria com chocolate.
5 - Se fosse com chocolate, não seria em formato de ovo.
5.1 - Porque o formato é pouco prático, além de esquisito.
5.2 - Porque se [imagine:] um coelho parisse um ovo de chocolate:
5.2.1 - Eu jamais colocaria aquele troço nojento na boca.
5.2.2 - Aliás, não seria coelho. Seria coelha.
5.2.3 - De qualquer modo: ia ser mais fácil alguém morrer na sexta e ressuscitar no domingo que um coelho [ou uma coelha] botar um ovo de chocolate.
Ainda assim: boas compras, aos que costumam comemorar.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Iniciação Científica na UFABC
O chamado abaixo destina-se especialmente aos alunos da UFABC:
Prezados alunos do BC&H,
O Grupo de Pesquisas "Perspectivas Críticas da Filosofia Moderna e Contemporânea" informa que apresentará até 02 (dois) projetos de pesquisa com vistas a concorrer às bolsas de Iniciação Científica tratadas nos Editais 02/2011 e 03/2011 da Pró-Reitoria de Pesquisa (disponíveis em http://propes.ufabc.edu.br/).
Os projetos são da área de Filosofia Política e visam refletir sobre os conceitos de "democracia" e "participação popular" sob dois aspectos: (1) verificando a presença ou não de tais conceitos na prática dos órgãos legislativos municipais da região do Grande ABC; e (2) confrontando a prática verificada com aspectos das obras de teóricos da área, a serem indicados pelo orientador. Ambos os projetos envolverão a dimensão teórica e a pesquisa de campo.
Pede-se aos alunos interessados em concorrer às bolsas de Iniciação Científica por meio destes projetos que enviem para o e-mail pansarelli@gmail.com, até o dia 25/04, uma carta de apresentação (redigida pelo próprio discente), contendo:
Esperando contribuir com a formação dos discentes, com o desenvolvimento da Universidade e da região, deixo um abraço a todos e todas.
Prof. Dr. Daniel Pasarelli
Prezados alunos do BC&H,
O Grupo de Pesquisas "Perspectivas Críticas da Filosofia Moderna e Contemporânea" informa que apresentará até 02 (dois) projetos de pesquisa com vistas a concorrer às bolsas de Iniciação Científica tratadas nos Editais 02/2011 e 03/2011 da Pró-Reitoria de Pesquisa (disponíveis em http://propes.ufabc.edu.br/).
Os projetos são da área de Filosofia Política e visam refletir sobre os conceitos de "democracia" e "participação popular" sob dois aspectos: (1) verificando a presença ou não de tais conceitos na prática dos órgãos legislativos municipais da região do Grande ABC; e (2) confrontando a prática verificada com aspectos das obras de teóricos da área, a serem indicados pelo orientador. Ambos os projetos envolverão a dimensão teórica e a pesquisa de campo.
Pede-se aos alunos interessados em concorrer às bolsas de Iniciação Científica por meio destes projetos que enviem para o e-mail pansarelli@gmail.com, até o dia 25/04, uma carta de apresentação (redigida pelo próprio discente), contendo:
- os motivos que fizeram se interessar pela área temática em questão e pelo tema específico deste projeto;
- os conhecimentos e as habilidades que o discente possui e acredita que contribuirão para o bom desenvolvimento do projeto;
- elementos teóricos - autores, obras e conceitos - que o discente acredita que poderiam contribuir com o desenvolvimento do tema;
- como o discente acredita que a participação neste projeto contribuirá com sua formação no BC&H e no curso pós-BC&H pretendido;
- se o discente possui algum tipo de relação com (ou conhecimento sobre) as câmaras municipais das cidades da região (ABCDM);
- se o discente pretende concorrer a uma bolsa pelo edital 02/2011 (PIC/PIBIC) ou pelo edital 03/2011 (PIBIC Ações Afirmativas).
Esperando contribuir com a formação dos discentes, com o desenvolvimento da Universidade e da região, deixo um abraço a todos e todas.
Prof. Dr. Daniel Pasarelli
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